{"id":270,"date":"2023-06-14T09:37:39","date_gmt":"2023-06-14T12:37:39","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/?p=270"},"modified":"2023-06-15T15:24:34","modified_gmt":"2023-06-15T18:24:34","slug":"amor-e-arte-a-historia-da-pontinha-de-futuro-e-a-transformacao-atraves-do-ballet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/amor-e-arte-a-historia-da-pontinha-de-futuro-e-a-transformacao-atraves-do-ballet\/","title":{"rendered":"Amor e Arte:\u00a0a hist\u00f3ria da Pontinha de Futuro e a transforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do ballet"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Por Beatriz Maciel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Foi em 2016, em uma sala no andar de cima da Par\u00f3quia de Santa Isabel, na periferia da zona norte de Recife, que a Pontinha de Futuro nasceu. O projeto, encabe\u00e7ado pela bailarina e professora Jaynara Figueir\u00eado e seu marido, Armerindo Neto, leva aulas de ballet cl\u00e1ssico para crian\u00e7as e adolescentes (entre 3 e 18 anos) da comunidade a um pequeno valor, apenas 30% das alunas pagam uma taxa de 35,00 reais por m\u00eas e 70% t\u00eam aulas de gra\u00e7a .&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto conta com o apoio de madrinhas, que se responsabilizam cada uma por uma crian\u00e7a e, de forma volunt\u00e1ria, custeiam os materiais, figurinos e auxiliam nas produ\u00e7\u00f5es e eventos da companhia. Em 2023, o projeto est\u00e1 mudando de sede, devido a alguns problemas estruturais e \u00e0 mudan\u00e7a na gest\u00e3o da igreja, transferindo a Pontinha de Futuro para o Instituto Casa Amarela Social (CAS), representante do G10 Favelas Pernambuco, no bairro de Casa Amarela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/JJ-qHDG3OtF0qj_GpPgegECyNA_qoqiUtV_BphflKsdSGXJD-JiDf1oBOOBV_YLGkhQE0y3Htw-RnMOisxIXc7PlSbqDvrOJFPjyTUeLJ-4Qz0JgSPvVOP3RRrUUt4LbaAs5GOfUmG9JA7_-qSqrneU\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Aula na Pontinha de Futuro \/ Acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os primeiros passos da Pontinha de Futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi com apenas quatro anos de idade que Jaynara Figueir\u00eado, conhecida por Jay, come\u00e7ou sua hist\u00f3ria com a dan\u00e7a. J\u00e1 dan\u00e7arina de dan\u00e7a portuguesa, no Clube Portugu\u00eas do Recife, e incentivada pela av\u00f3, que tamb\u00e9m sempre sonhou em ser bailarina e que passou a vender lanches na academia de ballet para pagar as aulas e figurinos da neta, Jaynara se envolveu com o ballet cl\u00e1ssico e, desde ent\u00e3o, cultivou uma rela\u00e7\u00e3o de amor com essa arte. \u201cMeu come\u00e7o com a dan\u00e7a n\u00e3o foi f\u00e1cil. N\u00f3s \u00e9ramos uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia e na \u00e9poca que eu fazia ballet, era uma coisa meio que inacess\u00edvel para todos. Ainda \u00e9, mas estamos aos poucos conseguindo desconstruir isso. Sempre foi uma modalidade cara, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a modalidade, s\u00e3o os materiais, a sapatilha de ponta\u2026 as coisas relacionadas a material de ballet sempre s\u00e3o coisas caras\u201d, relembra Jay.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram anos de paix\u00e3o e busca pelo aperfei\u00e7oamento na dan\u00e7a, e com o incentivo da av\u00f3 e das professoras, em especial, Ala\u00edde Gomes, a bailarina trilhou seus passos. \u201cSempre tive como inspira\u00e7\u00e3o a minha mestra Ala\u00edde Gomes, que \u00e9 uma das pioneiras em Pernambuco na \u00e1rea de ballet. Uma mulher negra, forte, super inspiradora, super criativa. Quando fui chegando na adolesc\u00eancia, na idade adulta, peguei a mestra Ala\u00edde e foi l\u00e1 toda a minha forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica e de jazz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/yWdz31Z0MbkmqGm333W4ba-FNg4Y1wYavccJrqpr1HuDtLVfQqDy5P5bPL5C-pg3jQLcAsHlDRRZaGcYA9k-CPw1LDi2vSmuaFB-qt4ktqjTOeiyA5locRY1MX21qV8K90nW7AYPegZ-LqXeRjMDHwY\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"470\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Jaynara Figueir\u00eado \/ Acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia da Pontinha de Futuro veio da trajet\u00f3ria pessoal da dan\u00e7arina. \u201cEu convivi com essas dificuldades relacionadas ao ballet desde cedo. Desde sempre eu via o sacrif\u00edcio que minha av\u00f3 fazia e via que n\u00e3o era todo mundo que tinha aquela oportunidade [&#8230;]. E hoje, gra\u00e7as a Deus, sinto que posso favorecer muita gente com o projeto nesse sentido: de mostrar \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes que elas podem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cO projeto \u00e9 uma forma de retribuir tudo que eu consegui atrav\u00e9s da arte. Passar para essas crian\u00e7as. \u00c0s vezes a gente observa que tem tanto talento por a\u00ed, perdido, e o que falta \u00e9 oportunidade\u201d (Jaynara)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jaynara destaca ainda que, ao come\u00e7ar a idealizar o projeto, quis buscar algo que agregasse valores na vida de suas alunas, porque os ensinamentos do ballet extrapolam a sala de aula, gerando disciplina, foco e determina\u00e7\u00e3o. A professora, que trabalha em academias de gin\u00e1stica, faz quest\u00e3o de levar sempre \u00e0 Pontinha palestras, aulas de yoga, de exerc\u00edcio funcional e outros profissionais que possam agregar de alguma maneira na forma\u00e7\u00e3o das alunas. \u201cFazer com que essas pessoas que moram em comunidades tenham acesso a outros tipos de cultura, tenham outras experi\u00eancias e viv\u00eancias\u201d. A gera\u00e7\u00e3o de oportunidades vai al\u00e9m: com a ajuda das madrinhas, o projeto j\u00e1 p\u00f4de proporcionar experi\u00eancias inesquec\u00edveis, como o envio de cartas para a ativista pela educa\u00e7\u00e3o das meninas e vencedora do pr\u00eamio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, e uma excurs\u00e3o para o Teatro Guararapes, onde 40 crian\u00e7as puderam assistir \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do Ballet Imperial da R\u00fassia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201c\u00c9 muito gratificante ver a felicidade, aqueles olhinhos brilhando vendo os bailarinos profissionais em cena, \u00e9 demais, fico at\u00e9 emocionada de falar\u2026 O projeto \u00e9 basicamente amor e arte. Todo o amor que eu posso envolver. Minha religi\u00e3o \u00e9 minha fam\u00edlia e o projeto. \u00c9 amor e trabalho!\u201d (Jaynara)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/qi5JNMEGNQq4pv4pO1g43c4KBnnF3pLAGNpF0yyeqNDjyft52VdIp-pVVa_4whHyJjWCA_nQMqtbA_6heYV1xNbSTHYSCbnpWZC79v65H6s8roOCsXi--hB4sZS7B91HkAb0v54X9E7xPZGDyvhX2aA\" alt=\"\" width=\"466\" height=\"502\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Jaynara Figueir\u00eado \/ Acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O projeto n\u00e3o se limita apenas \u00e0s crian\u00e7as. As fam\u00edlias e a comunidade tamb\u00e9m s\u00e3o impactadas pelas a\u00e7\u00f5es da Pontinha de Futuro. Durante a pandemia da Covid-19, enquanto as aulas de ballet continuavam de forma remota, foram feitas a\u00e7\u00f5es para levar cestas b\u00e1sicas para as alunas e suas fam\u00edlias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, um dos pilares da organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a inclus\u00e3o. Alunas com hiperatividade, d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, autismo e microcefalia recebem todos os benef\u00edcios que o ballet pode proporcionar: coordena\u00e7\u00e3o motora, concentra\u00e7\u00e3o, postura e, acima de tudo, autoestima, confian\u00e7a e prazer. \u201cEla sempre sonhou em fazer ballet mas nunca tinha tido a oportunidade. Quando ela conseguiu fazer a primeira aula, se sentiu transformada. Depois que subiu no palco, parecia uma borboleta saindo do casulo\u201d, \u00e9 o que diz a professora sobre Valentina, de 15 anos, que tem microcefalia e participa da Pontinha de Futuro desde janeiro de 2022, assim como sua irm\u00e3, Catharina, de 4 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem participa da Pontinha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Pontinha de Futuro \u00e9 um espa\u00e7o para autoconhecimento, aprendizado e divers\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 para as alunas, mas tamb\u00e9m para suas fam\u00edlias. A import\u00e2ncia da dan\u00e7a se manifesta, para cada uma delas, de uma forma especial, e guiam o dia a dia dessas crian\u00e7as por um caminho cheio de m\u00fasica, beleza e oportunidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Maria J\u00falia, de 8 anos, as aulas s\u00e3o um momento de divers\u00e3o. E para Suzana, sua m\u00e3e, o projeto \u00e9 uma forma de ajud\u00e1-la tanto na quest\u00e3o f\u00edsica \u2013 atrav\u00e9s dos exerc\u00edcios, foi vista uma melhora tanto no problema hormonal que afeta o crescimento de J\u00falia, quanto na disciplina, postura e responsabilidade em casa e na escola. \u201cO ballet \u00e9 uma dan\u00e7a que eu sempre fui apaixonada. Desde crian\u00e7a sempre tive vontade de dan\u00e7ar, mas a gente n\u00e3o tinha a facilidade no acesso como temos hoje, principalmente com o projeto\u201d, diz Suzana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando vai ter apresenta\u00e7\u00e3o ela tem aquela responsabilidade do ensaio, de tentar dar o melhor que ela pode sempre [&#8230;] N\u00e3o tem aquela cobran\u00e7a de ser sempre melhor em tudo, deixamos ela bem ciente disso, mas ela passou a criar mais responsabilidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/fkzpMTnxtlxZ1Y4oftRiZOkGUd_ACXDQQ-3OqAxZb7gYalVjYQ1JynEdSsDSvYgubObggC8DwYb1ejxwkJQPObf89b2KVdRARgssZ4SsXp-uXqOpLQTbSlmkWLIrVjbLDS1qAkQKk6ppWKld6yxBkYE\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Maria J\u00falia, 8 anos \/ <em>Acervo<\/em> pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cNas aulas eu gosto de aprender todos os passos para eu me sair muito bem nas apresenta\u00e7\u00f5es. Eu gosto da presen\u00e7a do p\u00fablico e da minha fam\u00edlia, porque quando acaba a apresenta\u00e7\u00e3o n\u00f3s somos aplaudidas\u201d (Maria J\u00falia)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Safira, tem 9 anos e participa do projeto desde 2018. C\u00e1ssia, sua m\u00e3e, que tamb\u00e9m tem um carinho pela dan\u00e7a e v\u00ea na atividade uma divers\u00e3o, viu, na Pontinha de Futuro, uma possibilidade de realizar o desejo da filha. &#8220;Quando ela entrou, ela tinha um desejo de fazer dan\u00e7a, s\u00f3 que os custos s\u00e3o altos em escolas de ballet. A\u00ed a minha m\u00e3e viu umas meninas com a roupinha de ballet saindo da igreja, e falou com Jay. Safira conseguiu entrar para dan\u00e7ar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para C\u00e1ssia, a hist\u00f3ria de Safira com a dan\u00e7a \u00e9, tamb\u00e9m, uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o: \u201cH\u00e1 uns dois anos ela foi diagnosticada com TDAH, ent\u00e3o o ballet tem sido um \u00f3timo exerc\u00edcio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de um prazer, quest\u00e3o de autoestima, ela se sente muito importante quando tem apresenta\u00e7\u00f5es, \u00e9 muito legal [&#8230;] Quem tem TDAH tem v\u00e1rios conflitos, um deles \u00e9 a quest\u00e3o da autoestima porque sempre est\u00e1 achando que est\u00e1 fazendo coisas erradas, mas ela se acha maravilhosa quando est\u00e1 dan\u00e7ando e isso \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1ssia refor\u00e7a, ainda, que o aspecto de cidadania do projeto tamb\u00e9m \u00e9 essencial, e caminha lado a lado dos benef\u00edcios f\u00edsicos que confere \u00e0s crian\u00e7as. \u201cQualquer tipo de cultura que voc\u00ea vai explorar \u00e9 um aprendizado, \u00e9 agu\u00e7ar algum conhecimento, ent\u00e3o com certeza \u00e9 um aparelho de transforma\u00e7\u00e3o na vida das pessoas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/FSJ-RKPXmk-7tiw16kDzsQxe5xoZY5M6Ein7874PLvrEO60iAdop0oTsDCQiXc4QnBPAHGvZl5YZaawCg4sYxmm1SfcH4BkQjeEFb82f_4sQeeMXJny-yjNkeDg2LbzxP5Ffy7rshKv_ZNGG3u5ps34\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"649\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Safira, 9 anos \/ <em>Acervo<\/em> pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cAprendo a me concentrar, aprendo novos passos, novas dan\u00e7as e tamb\u00e9m \u00e9 divertido (&#8230;). Me sinto bem l\u00e1. Me sinto confort\u00e1vel. Eu gosto da parte que a gente faz um c\u00edrculo e faz umas manobras. Faz estrelinha, faz cambalhota, borboletinha, saltos\u2026 Gosto das roupas, de ficar em cima do palco com todo mundo me vendo. Quando termina, batem palmas e me sinto confort\u00e1vel l\u00e1 em cima. Um pouquinho t\u00edmida, mas confort\u00e1vel\u201d (Safira)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ingrid, de 12 anos, j\u00e1 encontrou no ballet um dos seus grandes sonhos. Ela come\u00e7ou suas aulas na Pontinha de Futuro em 2017, por incentivo de sua madrinha. Para Isabel, sua m\u00e3e, a postura da filha na aula foi uma surpresa: \u201cQuando cheguei l\u00e1 na primeira aula, a experimental, n\u00e3o esque\u00e7o nunca\u2026 Voc\u00ea via que ela tinha talento para aquilo. Me surpreendeu [&#8230;] Eu e minha prima ficamos de boca aberta quando ela se apresentou, \u2018Meu Deus do c\u00e9u, que menina \u00e9 essa?\u2019\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O gosto pela dan\u00e7a sempre esteve na fam\u00edlia de Ingrid mas, n\u00e3o necessariamente, pelo ballet. Foi o amor da menina pela dan\u00e7a, seu gosto pelas aulas e seu talento \u2013 j\u00e1 apontado pela professora Jay, que conquistou a todos. \u201cEla ama o ballet e ela come\u00e7ou a se entregar naquilo que ela ama. Aquilo era importante para ela e passou a ser importante para a gente tamb\u00e9m. E ficamos muito orgulhosos do percurso dela\u201d, relembra Isabel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cEla se doa muito no que ela faz, ela ama o que ela faz. E esse amor contagiou a nossa fam\u00edlia\u201d (Isabel)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O amor veio n\u00e3o s\u00f3 de Ingrid, que encontrou na dan\u00e7a uma grande paix\u00e3o e um grande sonho, mas do incentivo de Jay e de todas as pessoas que fazem o projeto acontecer. H\u00e1 o amor de Jay pelo ensino, o das crian\u00e7as pelas aulas, o de m\u00e3es, como Isabel, que participam ativamente da rotina e dos eventos propostos pela companhia. \u201c\u00c9 um projeto muito lindo, voc\u00ea v\u00ea que s\u00e3o pessoas que realmente fazem com gosto porque amam o que fazem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/LiP1vBPNfBLtUHqJ3QmHkMqcNESR-bhZAWf_weiykUSvnoD4QCSzv-TNObD2Tx4qGo5-w4fC5SNfLYGS_8mZUhCb0PS7RYnWM9Rwp2Q11q1__rZqKDNMy68IjFobLH3Jr24S0nvTi15PXi5QVUDTtJc\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"597\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Ingrid, 12 anos \/ <em>Acervo<\/em> pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cEu sinto, na maioria das vezes, a sensa\u00e7\u00e3o de paz. Porque tem dias que eu t\u00f4 triste e quando vou para o ballet me sinto melhor. N\u00e3o sei como, mas sei que me sinto, de alguma forma [&#8230;] Nas apresenta\u00e7\u00f5es eu mais gosto quando estou dan\u00e7ando e no final, quando ela acaba, porque d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que voc\u00ea trabalhou para chegar ali. E voc\u00ea conseguiu conquistar aquilo que voc\u00ea tentou todo dia, decorando a coreografia, tentando e tentando e, quando chegou no dia, deu tudo certo. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de al\u00edvio, \u00e9 isso que eu mais gosto\u201d (Ingrid)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/wM3L4l8FgqVxCNmBcUuQBGBFrENnmNI1aGBOwPVbsXpY7E4IUOg6fZZGBXABaVqxU6khO928LzswpkW8LC07Gh8fjSh_yCZa4DbfigRZCdCk5claB0K2l7y0xQqcFHjDKdahmlS5z7lRFI6Fug6nRDY\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"529\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Luiza \/ <em>Acervo<\/em> pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cEu me sinto leve e me sinto bem por fazer o que eu gosto. Eu gosto dos palcos, do p\u00fablico, de quando temos que dan\u00e7ar com sapatilha de ponta, dos figurinos\u2026 Gosto de tudo!\u201d (Luiza)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA for\u00e7a motriz \u00e9 a partir da uni\u00e3o feminina\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Jaynara, professora e idealizadora, o projeto conta com mais colaboradores. Armerindo Neto, marido de Jaynara administra a escola junto com ela, e participa ativamente tamb\u00e9m na parte de produ\u00e7\u00e3o. Durante os eventos e espet\u00e1culos, a fam\u00edlia inteira de Jay se envolve, \u201cquando tem evento, todo mundo da fam\u00edlia participa. Meus filhos, at\u00e9 meu av\u00f4 de 97 anos, arrumamos algo para ele. A fam\u00edlia toda abra\u00e7ou a causa\u201d, conta a bailarina. Mas, para fazer a Pontinha acontecer, o projeto conta com as madrinhas, que se responsabilizam, cada uma, por uma crian\u00e7a do projeto, e ficam a cargo de apoiar e viabilizar financeiramente as alunas. Atrav\u00e9s da compra de materiais como meia-cal\u00e7as, sapatilhas, saias, figurinos das apresenta\u00e7\u00f5es e do pagamento de taxas para realiza\u00e7\u00e3o de eventos tem\u00e1ticos, as madrinhas ajudam na manuten\u00e7\u00e3o do projeto. O projeto tamb\u00e9m conta com padrinhos mas, atualmente, a maioria \u00e9 feminina.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas madrinhas, tamb\u00e9m, colaboram voluntariamente e de forma espec\u00edfica. Madrinhas m\u00e9dicas, dentistas e jornalistas, por exemplo, atuam com atendimento pedi\u00e1trico peri\u00f3dico para as crian\u00e7as e produ\u00e7\u00e3o de materiais para a comunica\u00e7\u00e3o interna e externa do projeto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/1I8BviQJIUUNe2r5QXc_gH_ZEBU1YobWldXLF42AhQfgBlovr7mNT4-AOlvSP-UyZqtZub7MoNx1G7vW1603qkOEj0NcVk_6qmpP2J3qt36NFcJFeF1vmjy8Wjt5_-pk7Qv68lmFX8h7CEEizAY0CYw\" alt=\"\" width=\"369\" height=\"494\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Alunas da Pontinha de Futuro \/ <em>Acervo<\/em> pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para elas que tamb\u00e9m t\u00eam, em sua maioria, uma hist\u00f3ria pessoal com o ballet, a colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito especial. M\u00e1rcia Pedrosa, professora universit\u00e1ria, \u00e9 madrinha de uma bailarina de 12 anos desde 2022, e diz: \u201cal\u00e9m do ballet ser uma atividade que d\u00e1 imenso prazer, \u00e9 importante para a sa\u00fade, trabalha postura, trabalha disciplina, trabalha eleg\u00e2ncia, essas meninas se sentem valorizadas, se sentem com autoestima mais elevada. Eu percebo que as m\u00e3es tamb\u00e9m se integram de alguma forma. Quando elas v\u00e3o, \u00e9 um ponto de reuni\u00e3o, de intera\u00e7\u00e3o social para as m\u00e3es que est\u00e3o levando suas filhas, vislumbrando outras oportunidades pras meninas [&#8230;] \u00c9 super importante na vida dessas crian\u00e7as e, digo mais, na vida dessas fam\u00edlias participar da Pontinha de Futuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00falia Nogueira \u00e9 jornalista e participa como volunt\u00e1ria desde o in\u00edcio do projeto. Ela, que tamb\u00e9m faz aulas de dan\u00e7a com a professora Jaynara, chama o processo de voluntariado,&nbsp; carinhosamente, de amadrinhamento, \u201cporque tem mais mulheres que homens apoiando. A for\u00e7a motriz \u00e9 a partir da uni\u00e3o feminina\u201d. A hist\u00f3ria pessoal de J\u00falia com o ballet tamb\u00e9m influenciou seu interesse em participar do projeto. Ap\u00f3s ter feito dan\u00e7a por muitos anos, mas parado devido a uma tendinite, os ensinamentos das aulas permaneceram, e ela observa os mesmos benef\u00edcios que a dan\u00e7a teve em sua vida nas meninas que participam da Pontinha de Futuro: \u201cFazem quase trinta anos, mas (o ballet) me ajudou a ser a pessoa que eu sou hoje, na disciplina, consci\u00eancia musical, ritmo\u2026 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aquela disciplina militarizada em busca da perfei\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais do que uma atividade f\u00edsica, \u00e9 arte pura, \u00e9 muito bonito [&#8230;]\u201d. A jornalista destaca, tamb\u00e9m, a import\u00e2ncia do trabalho social e de inclus\u00e3o realizado nas aulas: \u201c\u00c9 a oportunidade de apresentar uma realidade desconhecida para a maioria. N\u00e3o fosse o projeto, as crian\u00e7as n\u00e3o teriam a oportunidade de ter uma atividade extracurricular com tanta qualidade, afeto, acolhimento. Ainda que (o projeto) enfrente dificuldades na infraestrutura f\u00edsica, a boa vontade de Jay \u00e9 um farol, uma luz que guia essas crian\u00e7as e apresenta a elas o caminho do bem. Algumas crian\u00e7as t\u00eam uma base familiar s\u00f3lida, mas outras [&#8230;] s\u00e3o criadas em situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia e viol\u00eancia e o projeto \u00e9 um alento, uma luz num territ\u00f3rio que talvez fosse mais sombrio\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u201cO projeto, que traz a inclus\u00e3o social por meio da dan\u00e7a, tem uma import\u00e2ncia tremenda. \u00c9 sentido de pertencimento, representatividade, acolhimento, seguran\u00e7a, afeto, conhecimento, contato com a arte\u201d (J\u00falia Nogueira)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/jJMZ5-drL7IAWD7bWaQh-nsM4dAzZn3Zac1_UASm-yVo_UZPNwF_Ad7RHnIioOuDVNSKiyLn4mz2Jzr-DXfQeLD0fwxlvYnOWoP_QTHCaf9py4IUjZEboUdqAOxK-urrKT9Y7MRwWa1638uIBEnwawo\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"466\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Integrantes da Pontinha de Futuro \/ <em>Acervo<\/em> pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em seus 7 anos de exist\u00eancia, a Pontinha de Futuro vem mudando vidas, incentivando sonhos e oferecendo novas oportunidades para crian\u00e7as e suas fam\u00edlias. Seja em uma pequena sala em cima da igreja, remotamente atrav\u00e9s do celular, ou em sua nova sede no Instituto Casa Amarela Social, a pot\u00eancia da dan\u00e7a e do ensino extrapolam qualquer barreira f\u00edsica. \u00c9 com muito amor e trabalho duro que Jaynara e sua fam\u00edlia, junto com as madrinhas do projeto, impactam o dia a dia de sua comunidade. E \u00e9 atrav\u00e9s da arte, do acolhimento e da oportunidade, que crian\u00e7as e jovens tra\u00e7am seus passos por novos caminhos e almejam sonhos cada vez maiores \u2013 com a certeza de que os podem realizar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para acompanhar e conhecer mais sobre a Pontinha de Futuro, siga sua p\u00e1gina no Instagram: @adm.pontinhadefuturo<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Rafael Gueiros<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">*Registro aqui o meu profundo agradecimento \u00e0 Jay, Suellen, Maria J\u00falia, Safira, Valentina, Catharina, Ingrid, Luiza, Suzana, C\u00e1ssia, Isabel, Danielle, Daniella, M\u00e1rcia, Gabriela, J\u00falia, Mirella e todas as m\u00e3es, respons\u00e1veis, alunas e madrinhas da Pontinha de Futuro. Obrigada por me confiarem suas hist\u00f3rias e ritmos. Que essa mat\u00e9ria possa mostrar o tamanho de suas pot\u00eancias e que ajude, de alguma forma, a dar mais visibilidade ao projeto. Que a Pontinha siga sendo um lindo<em> Grand Jet\u00e9<\/em> na vida das pessoas.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO projeto \u00e9 uma forma de retribuir tudo que eu consegui atrav\u00e9s da arte. 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