{"id":362,"date":"2023-06-15T09:07:43","date_gmt":"2023-06-15T12:07:43","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/?p=362"},"modified":"2023-06-15T15:12:14","modified_gmt":"2023-06-15T18:12:14","slug":"de-que-periferia-estamos-falando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/de-que-periferia-estamos-falando\/","title":{"rendered":"De que periferia estamos falando?"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Por Marcelo Dantas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=nrgSN2TpYqY\" target=\"_blank\">\u201cEnquanto eles tiverem se matando, t\u00f4 nem a\u00ed. N\u00e3o atingindo gente do bem, pessoas do bem, t\u00f4 nem a\u00ed\u201d<\/a>, estas palavras d\u00e3o in\u00edcio a um v\u00eddeo de Sik\u00eara Jr., dispon\u00edvel no canal \u201cNot\u00edcias RedeTV\u201d, que tem mais de um milh\u00e3o de inscritos e 16 mil v\u00eddeos, e se descreve como o \u201ccanal que re\u00fane todo o conte\u00fado de Jornalismo e Esportes da RedeTV!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"602\" height=\"279\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/SdNpz5JPmeXmsG_cxxlDXA5JbXofMTdtxAVAGFwaVk1ctrdQLykxh6nJHcoN0LzUCeyZbCMumBDg3NVyZQeppXiwMtz7tJWagQKHnw44eO69kaNu599Wvah9V37oSy3_tqBnVc2tjO_7sOiQ8le2Hg\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Reprodu\u00e7\u00e3o \/ YouTube<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos agora o que diz o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/fenaj.org.br\/codigo-de-etica-dos-jornalistas-brasileiros\/\" target=\"_blank\">C\u00f3digo de \u00c9tica dos Jornalistas<\/a> em seu sexto artigo, inciso I, sobre o dever do jornalista:<br>\u201cI \u2013 opor-se ao arb\u00edtrio, ao autoritarismo e \u00e0 opress\u00e3o, bem como defender os princ\u00edpios expressos na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos;\u201d<br>E o que est\u00e1 contido no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos\" target=\"_blank\">documento internacional<\/a> citado logo acima?<br>\u201cArtigo 3 &#8211; Todo ser humano tem direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal.\u201d<br>Com uma costura r\u00e1pida entre as tr\u00eas cita\u00e7\u00f5es, \u00e9 f\u00e1cil perceber que o que foi dito pelo apresentador n\u00e3o est\u00e1 de acordo nem com a \u00e9tica do campo profissional, menos ainda com o respeito \u00e0 vida, que se imagina como pr\u00e9-requisito para a vida em sociedade.<br><br>Esse tipo de (pretenso) jornalismo, que viola direitos e incita \u00f3dio e viol\u00eancia atua de forma m\u00f3rbida com grupos espec\u00edficos da sociedade que t\u00eam cor, classe e territ\u00f3rio. S\u00e3o as periferias urbanas que mais sofrem como uma campanha midi\u00e1tica que constr\u00f3i uma imagem negativa, ligada ao crime e \u00e0 viol\u00eancia, sem que nunca questionem as causas &#8211; que tendem a estar confortavelmente em suas mans\u00f5es, coberturas e iates.<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"602\" height=\"564\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/dl2C_N5Go52mYLaRtjFh9N11bziZwdQILPFGZKlAUy93oH5VEZ_96xV8iGP4M6Ko-14keRFvWFjxjv05b90fziusK3FOspMwtBGs91tdPEr_gQRLie7Kfc2bA5PMNUFMpQyRI1oJG4ryvgWO4Nd93w\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Charge \/ Carlos Latuff<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br>Em entrevista para a Revista \u201cO Berro\u201d, Andrea Trigueiro, Coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (Unicap) e Educomunicadora, afirma que h\u00e1 um desequil\u00edbrio n\u00edtido na cobertura midi\u00e1tica sobre crimes, por exemplo.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/andrea5-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Essa abordagem n\u00e3o s\u00f3 refor\u00e7a uma imagem negativa das periferias, como \u00e9 parte central da edifica\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio da favela, da comunidade, dos Altos e dos becos como locais de iminente perigo, que l\u00e1 est\u00e3o instalados quase que organicamente, intrinsecamente.<br><br>A Educomunicadora destaca, ainda, que, al\u00e9m da tentativa de homogeneizar a periferia e negar suas pot\u00eancias, essa m\u00eddia ainda acaba isentando o abandono do Estado e criminalizando a periferia.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/andrea1-3.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PD4Ew5DIGrU\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PD4Ew5DIGrU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cO racismo constitui n\u00e3o s\u00f3 as a\u00e7\u00f5es conscientes, como tamb\u00e9m  as inconscientes\u201d<\/a>, com tal afirma\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo e atual Ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, extra\u00edda do v\u00eddeo \u201cO que \u00e9 racismo estrutural?\u201d, dois pontos logo me inundam a mente: 1- que se o racismo estrutural \u00e9 posto como algo da normalidade, por funcionar de acordo com as regras do jogo, e opera tamb\u00e9m no campo do inconsciente, logo, a m\u00eddia tem papel de destaque na perpetua\u00e7\u00e3o desta l\u00f3gica estrutural, e a criminaliza\u00e7\u00e3o das periferias, a naturaliza\u00e7\u00e3o da morte de pessoas negras, e o \u201capagamento\u201d de outros grupos sociais na m\u00eddia s\u00e3o engrenagens de tal estrutura; e 2- como rapidamente qualificamos a cita\u00e7\u00e3o a v\u00eddeos aqui neste artigo.<br><br>Retomando \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, temos no artigo 19, a Comunica\u00e7\u00e3o enquanto Direito Humano: <br><br>\u201cTodo ser humano tem direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o; esse direito inclui a liberdade de, sem interfer\u00eancia, ter opini\u00f5es e de procurar, receber e transmitir informa\u00e7\u00f5es e id\u00e9ias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.\u201d<br><br>Se todo ser humano tem direito de receber, mas tamb\u00e9m de transmitir informa\u00e7\u00f5es e id\u00e9ias, quando nos notici\u00e1rios mal vemos men\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e comunidades quilombolas, por exemplo, \u00e9 tamb\u00e9m viola\u00e7\u00e3o de direitos.<br><br>Ao digitar no site <a href=\"https:\/\/www.sinonimos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sin\u00f4nimos<\/a> a palavra periferia, a primeira coisa que vem \u00e9 \u201cregi\u00e3o afastada de um centro urbano\u201d e na sequ\u00eancia &#8220;sub\u00farbio, arredores, arrabalde, cercanias, imedia\u00e7\u00f5es, redondezas&#8221;. Como exemplo temos &#8220;Eu n\u00e3o tenho vergonha de viver na periferia&#8221; e pq teria? Mas trago tudo isso para refletir sobre o ant\u00f4nimo, a palavra contraria, o sentido oposto. Centro.<br><br>Se o que n\u00e3o for centro \u00e9 periferia, ent\u00e3o h\u00e1 mais periferias do que um primeiro olhar permite, ou do qu\u00ea a m\u00eddia quer mostrar.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"279\" height=\"360\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/m1Y41y_X1aq-hpPvd1MB2g5G3SGD8vGE5TnMbq1a1A7K_rys8q8ffQWinloceQj9zCEQbUG6dW_zk-PKpEkGEZno0Ky0jN1Edjp8_x58YYj15gKCpPRcI3BI9M6dUOr6p4mNOux-qJfKbTz4EAp1YQ\"><br><em>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Revista Veja<br><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"482\" height=\"333\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/SYvQ9_5dPSTS3HsnpDIlFfgZ3FCannB0nc7oEUMRNtNu3uo4ZzwH-O1ZXEHuzGb3EX9lk2eRYay8vCZq00T8ugUhj87qi-FTy7TS3DAtBeI9pqsCMkEHSqAOS0pE6Q3vas3waAqNON03_cdpoiJUJw\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Revista Veja<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br>A favela \u00e9 periferia do centro da cidade. O quarto da empregada \u00e9 periferia do cofre escondido no apartamento de luxo. Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o periferia da invas\u00e3o europ\u00e9ia. As comunidades quilombolas s\u00e3o periferia do processo de escraviza\u00e7\u00e3o. As pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua s\u00e3o periferia dos milion\u00e1rios. E os exemplos s\u00e3o v\u00e1rios.<br><br>Mas ao olhar para a m\u00eddia n\u00e3o vemos nem a pluralidade de periferias, nem a pluralidade nas periferias. Afinal, de que periferia estamos falando?<br><br>*Para entender mais e se aprofundar sobre o assunto, sugiro a leitura da Disserta\u00e7\u00e3o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/repositorio.ufscar.br\/bitstream\/handle\/ufscar\/1507\/DissMPA.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y\" target=\"_blank\">\u201cPeriferia \u00e9 periferia em qualquer lugar?\u201d<\/a>, de Milene Peixoto \u00c1vila.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><br><em>Edi\u00e7\u00e3o: Nivaldo Machado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que os grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o falam da periferia com verdadeira profundidade? Informa\u00e7\u00f5es recortadas representam um grande perigo para o entendimento da periferia em toda a sua dimens\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":411,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cEnquanto eles tiverem se matando, t\u00f4 nem a\u00ed. N\u00e3o atingindo gente do bem, pessoas do bem, t\u00f4 nem a\u00ed\u201d, estas palavras d\u00e3o in\u00edcio a um v\u00eddeo de Sik\u00eara Jr., dispon\u00edvel no canal \u201cNot\u00edcias RedeTV\u201d, que tem mais de um milh\u00e3o de inscritos e 16 mil v\u00eddeos, e se descreve como o \u201ccanal que re\u00fane todo o conte\u00fado de Jornalismo e Esportes da RedeTV!\u201d.<br><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><img width=\"602\" height=\"279\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/SdNpz5JPmeXmsG_cxxlDXA5JbXofMTdtxAVAGFwaVk1ctrdQLykxh6nJHcoN0LzUCeyZbCMumBDg3NVyZQeppXiwMtz7tJWagQKHnw44eO69kaNu599Wvah9V37oSy3_tqBnVc2tjO_7sOiQ8le2Hg\"><br>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ YouTube<br><br>Vejamos agora o que diz o C\u00f3digo de \u00c9tica dos Jornalistas em seu sexto artigo, inciso I, sobre o dever do jornalista:<br><br>\u201cI \u2013 opor-se ao arb\u00edtrio, ao autoritarismo e \u00e0 opress\u00e3o, bem como defender os princ\u00edpios expressos na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos;\u201d<br><br>E o que est\u00e1 contido no documento internacional citado logo acima?<br><br>\u201cArtigo 3 - Todo ser humano tem direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal.\u201d<br><br>Com uma costura r\u00e1pida entre as tr\u00eas cita\u00e7\u00f5es, \u00e9 f\u00e1cil perceber que o que foi dito pelo apresentador n\u00e3o est\u00e1 de acordo nem com a \u00e9tica do campo profissional, menos ainda com o respeito \u00e0 vida, que se imagina como pr\u00e9-requisito para a vida em sociedade.<br><br>Esse tipo de (pretenso) jornalismo, que viola direitos e incita \u00f3dio e viol\u00eancia atua de forma m\u00f3rbida com grupos espec\u00edficos da sociedade que t\u00eam cor, classe e territ\u00f3rio. S\u00e3o as periferias urbanas que mais sofrem como uma campanha midi\u00e1tica que constr\u00f3i uma imagem negativa, ligada ao crime e \u00e0 viol\u00eancia, sem que nunca questionem as causas - que tendem a estar confortavelmente em suas mans\u00f5es, coberturas e iates.<br><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><img width=\"602\" height=\"564\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/dl2C_N5Go52mYLaRtjFh9N11bziZwdQILPFGZKlAUy93oH5VEZ_96xV8iGP4M6Ko-14keRFvWFjxjv05b90fziusK3FOspMwtBGs91tdPEr_gQRLie7Kfc2bA5PMNUFMpQyRI1oJG4ryvgWO4Nd93w\"><br>Imagem: Charge\/ Carlos Latuff<br><br>Em entrevista para a Revista \u201cO Berro\u201d, Andrea Trigueiro, Coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (Unicap) e Educomunicadora, afirma que h\u00e1 um desequil\u00edbrio n\u00edtido na cobertura midi\u00e1tica sobre crimes, por exemplo.<br><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":366} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/andrea5-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><br>Essa abordagem n\u00e3o s\u00f3 refor\u00e7a uma imagem negativa das periferias, como \u00e9 parte central da edifica\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio da favela, da comunidade, dos Altos e dos becos como locais de iminente perigo, que l\u00e1 est\u00e3o instalados quase que organicamente, intrinsecamente.<br><br>A Educomunicadora destaca, ainda, que, al\u00e9m da tentativa de homogeneizar a periferia e negar suas pot\u00eancias, essa m\u00eddia ainda acaba isentando o abandono do Estado e criminalizando a periferia.<br><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:audio {\"id\":372} -->\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/andrea1-3.mp3\"><\/audio><\/figure>\n<!-- \/wp:audio -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><br>\u201cO racismo constitui n\u00e3o s\u00f3 as a\u00e7\u00f5es conscientes, como tamb\u00e9m  as inconscientes\u201d, com tal afirma\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo e atual Ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, extra\u00edda do v\u00eddeo \u201cO que \u00e9 racismo estrutural?\u201d, dois pontos logo me inundam a mente: 1- que se o racismo estrutural \u00e9 posto como algo da normalidade, por funcionar de acordo com as regras do jogo, e opera tamb\u00e9m no campo do inconsciente, logo, a m\u00eddia tem papel de destaque na perpetua\u00e7\u00e3o desta l\u00f3gica estrutural, e a criminaliza\u00e7\u00e3o das periferias, a naturaliza\u00e7\u00e3o da morte de pessoas negras, e o \u201capagamento\u201d de outros grupos sociais na m\u00eddia s\u00e3o engrenagens de tal estrutura; e 2- como rapidamente qualificamos a cita\u00e7\u00e3o a v\u00eddeos aqui neste artigo.<br><br>Retomando \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, temos no artigo 19, a Comunica\u00e7\u00e3o enquanto Direito Humano: <br><br>\u201cTodo ser humano tem direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o; esse direito inclui a liberdade de, sem interfer\u00eancia, ter opini\u00f5es e de procurar, receber e transmitir informa\u00e7\u00f5es e id\u00e9ias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.\u201d<br><br>Se todo ser humano tem direito de receber, mas tamb\u00e9m de transmitir informa\u00e7\u00f5es e id\u00e9ias, quando nos notici\u00e1rios mal vemos men\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e comunidades quilombolas, por exemplo, \u00e9 tamb\u00e9m viola\u00e7\u00e3o de direitos.<br><br>Ao digitar no site Sin\u00f4nimos a palavra periferia, a primeira coisa que vem \u00e9 \u201cregi\u00e3o afastada de um centro urbano\u201d e na sequ\u00eancia \"sub\u00farbio, arredores, arrabalde, cercanias, imedia\u00e7\u00f5es, redondezas\". Como exemplo temos \"Eu n\u00e3o tenho vergonha de viver na periferia\" e pq teria? Mas trago tudo isso para refletir sobre o ant\u00f4nimo, a palavra contraria, o sentido oposto. Centro.<br><br>Se o que n\u00e3o for centro \u00e9 periferia, ent\u00e3o h\u00e1 mais periferias do que um primeiro olhar permite, ou do qu\u00ea a m\u00eddia quer mostrar.<br><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><img width=\"279\" height=\"360\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/m1Y41y_X1aq-hpPvd1MB2g5G3SGD8vGE5TnMbq1a1A7K_rys8q8ffQWinloceQj9zCEQbUG6dW_zk-PKpEkGEZno0Ky0jN1Edjp8_x58YYj15gKCpPRcI3BI9M6dUOr6p4mNOux-qJfKbTz4EAp1YQ\"><br>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Revista Veja<br><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><img width=\"482\" height=\"333\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/SYvQ9_5dPSTS3HsnpDIlFfgZ3FCannB0nc7oEUMRNtNu3uo4ZzwH-O1ZXEHuzGb3EX9lk2eRYay8vCZq00T8ugUhj87qi-FTy7TS3DAtBeI9pqsCMkEHSqAOS0pE6Q3vas3waAqNON03_cdpoiJUJw\"><br>Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Revista Veja<br><br>A favela \u00e9 periferia do centro da cidade. O quarto da empregada \u00e9 periferia do cofre escondido no apartamento de luxo. Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o periferia da invas\u00e3o europ\u00e9ia. As comunidades quilombolas s\u00e3o periferia do processo de escraviza\u00e7\u00e3o. As pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua s\u00e3o periferia dos milion\u00e1rios. E os exemplos s\u00e3o v\u00e1rios.<br><br>Mas ao olhar para a m\u00eddia n\u00e3o vemos nem a pluralidade de periferias, nem a pluralidade nas periferias. Afinal, de que periferia estamos falando?<br><br>*Para entender mais e se aprofundar sobre o assunto, sugiro a leitura da Disserta\u00e7\u00e3o \u201cPeriferia \u00e9 periferia em qualquer lugar?\u201d, de Milene Peixoto \u00c1vila.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Texto: Marcelo Dantas<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Nivaldo Machado<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->","_et_gb_content_width":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":493,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362\/revisions\/493"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}