{"id":364,"date":"2023-06-15T09:11:02","date_gmt":"2023-06-15T12:11:02","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/?p=364"},"modified":"2023-06-15T15:34:22","modified_gmt":"2023-06-15T18:34:22","slug":"um-poeta-recifense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/um-poeta-recifense\/","title":{"rendered":"Um poeta recifense"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Por Elaine Oliveira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Andar de \u00f4nibus no hor\u00e1rio de pico n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, mas para cumprir as responsabilidades di\u00e1rias \u00e9 preciso fazer uso do coletivo. Por\u00e9m, a viagem pode se tornar mais leve quando voc\u00ea entra em algum \u00f4nibus que circula pela Zona Norte da cidade do Recife \u2013 como, por exemplo, Av. Norte Macaxeira, Beberibe Derby, Guabiraba, Muribeca entre outros. E encontrar trechos de poesia ou at\u00e9 mesmo frases curtas, escritas dentro dos \u00f4nibus, deixam a viagem mais leve. Sem sombra de d\u00favidas, aquela leitura pela manh\u00e3 come\u00e7a deixando o dia daquele passageiro (a) do transporte p\u00fablico mais reflexiva para cumprir as demandas do dia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O respons\u00e1vel pelas frases e trechos de poesia nos \u00f4nibus \u00e9 o t\u00e9cnico em multim\u00eddia, poeta, escritor e grafiteiro Yuri Ramos, nome de registro, mas escolheu se apresentar como @iorimperador e voc\u00ea pode encontrar perfil de poesia dele pelo @umpoetarecifente, nas redes sociais. Morador do Largo da Uni\u00e3o, no bairro da Macaxeira, Zona Norte do Recife, h\u00e1 23 anos, ele comenta como come\u00e7ou a rela\u00e7\u00e3o com a poesia. <\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cEu despertei para a poesia em 2019. Estava na organiza\u00e7\u00e3o de um evento e a pessoa respons\u00e1vel em recitar a poesia n\u00e3o teve como comparecer ao evento. Com isso, eu tive que ficar no lugar da pessoa e n\u00e3o deixar que essa parte da poesia fosse cancelada do evento\u201d comentou ele.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Com apenas uma semana para organizar as ideias e compor o poema, o poeta recifense buscou, em suas viv\u00eancias da adolesc\u00eancia, nas m\u00fasicas que ouvia, na rotina na comunidade onde mora e at\u00e9 mesmo nos conflitos familiares a inspira\u00e7\u00e3o para escrever. Ao declamar seu primeiro poema autoral, ele percebeu que levava jeito como escritor e decidiu que queria isso para sua vida. E que iria compartilhar seus poemas com todos (as) com que tivesse contato, porque ele compreendeu que a arte o salvou.<br> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"563\" height=\"375\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-379\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image.png 563w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-480x320.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 563px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Foto: Elaine Oliveira <br><\/em><br><br><strong>N\u00d3S RESISTE<br><\/strong>Somos quadros de<br>artes pl\u00e1sticas,<br>Resistindo ao tempo<br>que passa<br>Nas paredes da sua casa. <br>Uma obra nordestina <br>sabiamente elaborada.<br>Com tra\u00e7os e cores firmes,<br>Para sua vis\u00e3o privilegiar<br>Cada tela exposta<br>que foi criada.<br>Assim como um corpo nu,<br>Poder senti-la <br>E sempre na mente<br>imagin\u00e1-la.<br>Sinta-se \u00e0 vontade <br>Ao nosso mundo criativo, <br>A cada cria\u00e7\u00e3o not\u00e1vel,<br>Se torne vis\u00edvel <br>e jamais esquecido. <br>N\u00f3s resiste,<br>N\u00f3s existe,<br>Arte de rua<br>Em cada esquina<br>da city.<br>ioRi Ramos ( poema autoral lido no evento em 2019)<\/p>\n\n\n\n<p><br>A arte pode ser expressa de v\u00e1rias formas e pode ser levada para as pessoas atrav\u00e9s de texto que se transforma em uma ponte, que liga o leitor at\u00e9 o autor. Por muitas vezes, o autor n\u00e3o sabe as lutas pelas quais seus leitores t\u00eam passado, mas as viv\u00eancias pessoais podem ser semelhantes e funcionam como combust\u00edveis para escrever. Com isso, muitos terminam se identificando com o poema, com a poesia e com o verso escrito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Enquanto poeta da periferia, ioRi tem como ponte de inspira\u00e7\u00e3o a viv\u00eancia na comunidade. \u00c9 ali que ele escreve suas frases e leva sua express\u00e3o art\u00edstica para as pessoas. Na ida e na volta dos principais coletivos da Zona Norte. \u201cA periferia \u00e9 potente, tem muita gente boa produzindo. \u00c0s vezes \u00e9 dif\u00edcil fazer, mas eu n\u00e3o vou desistir. Quero continuar fazendo minha arte e, assim, fazendo com que os adolescentes do meu bairro tenham acesso a toda informa\u00e7\u00e3o por meio do grafite, do hip-hop e pela poesia e poema\u201d disse ioRi.<br><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se existisse mais empatia na sociedade, talvez o mundo fosse um lugar melhor.&#8221;<br>@umpoetarecifense<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Amo esse teu jeito, que me tira sorrisos e olhares sinceros.&#8221;<br>@umpoetarecifense<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A falta de afeto deixa o cora\u00e7\u00e3o amargo.&#8221;<br>@umpoetarecifense<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"614\" height=\"409\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-380\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-1.png 614w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-1-480x320.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 614px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><em>Foto: Elaine Oliveira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Os poemas, as frases e os versos que ele escrevia e escreve come\u00e7aram a despertar a vontade de levar para al\u00e9m da periferia. Como ele anda muito de \u00f4nibus, percebeu que, em determinadas \u00e1reas os coletivos eram vazios e sem vida. Foi a\u00ed que, no in\u00edcio de 2022, ele decidiu levar ao mundo seus versos e mostrar a for\u00e7a que um poeta perif\u00e9rico tem.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cComo eu ando bastante de \u00f4nibus, n\u00e3o avistava algo diferente dentro dos coletivos, era coisa rara encontrar uma frase que algu\u00e9m pudesse refletir sorrir, fazer o dia de algu\u00e9m melhor. Em plena pandemia, percebi que era o momento de expressar minhas poesias para as pessoas al\u00e9m das redes sociais\u201d, concluiu ele. <\/p>\n\n\n\n<p><br>Uma das frases mais compartilhadas nas redes s\u00f3cias \u00e9 essa da camisa e me bateu a curiosidade de fazer a seguinte pergunta para ele: \u201cO que te levou ou inspirou a escrever essa frase?\u201d Ele me respondeu o seguinte: \u201cCresci em um ciclo familiar conturbado, onde o afeto n\u00e3o existia na pr\u00e1tica e percebi que no mundo l\u00e1 fora tamb\u00e9m existiam e existem outros casos parecidos. J\u00e1 senti muito a falta de afeto das pessoas no mundo l\u00e1 fora um dia tamb\u00e9m!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Mesmo tendo enfrentado essa falta de afeto, \u00e9 na pot\u00eancia da arte produzida na periferia por ioRi, e por tantos que vieram antes dele, que o artista se abra\u00e7a e renova as for\u00e7as para levar a sua comunidade para outros horizontes. Prova disso s\u00e3o as poesias que ele escreve nos \u00f4nibus de Pernambuco e do Brasil, o lan\u00e7amento do seu livro de poesia e o desejo de viajar pelo mundo escrevendo em tantos \u00f4nibus quanto ele conseguir, para, assim, alegrar a viagem de todos os passageiros (as).<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"523\" height=\"681\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-381\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-2.png 523w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-2-480x625.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 523px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Um poeta recifense\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sw3ugGBrz9E?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><br><em>Edi\u00e7\u00e3o: Nivaldo Machado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar que &#8220;a poesia est\u00e1 em todo lugar&#8221;? O multifacetado artista Yuri Ramos vai te provar que isso \u00e9 verdade. At\u00e9 nos lugares que menos parecem ter vida, \u00e9 poss\u00edvel fazer poesia.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=364"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":516,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/364\/revisions\/516"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}