{"id":387,"date":"2023-06-15T10:38:37","date_gmt":"2023-06-15T13:38:37","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/?p=387"},"modified":"2023-06-19T11:59:43","modified_gmt":"2023-06-19T14:59:43","slug":"pernambuco-plural-um-estado-que-floresceu-por-conta-dos-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/pernambuco-plural-um-estado-que-floresceu-por-conta-dos-imigrantes\/","title":{"rendered":"Pernambuco plural: um estado que floresceu por conta dos imigrantes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Por Isadora Cavalcanti e Laura Martiniano<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"ISLAMICAS RECIFENSE\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sU4hqY4rwZo?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O processo de deslocamento de um indiv\u00edduo de seu pa\u00eds natal para entrar em outro, com o objetivo de criar uma morada, \u00e9 chamado de imigra\u00e7\u00e3o. Esse fen\u00f4meno pode ser causado por diversos motivos. Quest\u00f5es envolvendo economia, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, desastres naturais, guerras e conflitos e persegui\u00e7\u00f5es religiosas ou \u00e9ticas est\u00e3o entre os principais fatores que influenciam a mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-medium-font-size\">De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o mundo conta com cerca de 280 milh\u00f5es de imigrantes atualmente. Ainda segundo a ONU, a Europa \u00e9 o continente que mais recebe indiv\u00edduos de outros pa\u00edses. A Am\u00e9rica fica em segunda coloca\u00e7\u00e3o, principalmente por causa dos Estados Unidos e do Canad\u00e1. \u00cdndia, M\u00e9xico e R\u00fassia s\u00e3o os pa\u00edses com mais emigrantes, ou seja, os nativos saem do pr\u00f3prio pa\u00eds para viver em outra na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-medium-font-size\">No contexto brasileiro, os ciclos de imigra\u00e7\u00e3o se iniciaram no s\u00e9culo XVI, com a coloniza\u00e7\u00e3o europeia e a vinda for\u00e7ada de africanos escravizados. A partir do s\u00e9culo XIX, com a proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro, uma nova onda de deslocamentos come\u00e7ou: pessoas de diversos pa\u00edses vieram ao Brasil em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, com destaque para a Alemanha, a It\u00e1lia, a Ucr\u00e2nia, a Hungria e o Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-medium-font-size\">Ao longo do s\u00e9culo XX, o Brasil passou a receber mais imigrantes de pa\u00edses vizinhos, localizados na Am\u00e9rica do Sul. O Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es Internacionais aponta que, na \u00faltima d\u00e9cada, a maior parte das imigra\u00e7\u00f5es vieram do Haiti, da Venezuela e de pa\u00edses africanos, como Senegal e Angola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-medium-font-size\">O estado de Pernambuco floresceu atrav\u00e9s das suas imigra\u00e7\u00f5es. O processo hist\u00f3rico de imigra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o \u00e9 muito antigo, conturbado, mas tamb\u00e9m plural. Come\u00e7ou com a coloniza\u00e7\u00e3o dos portugueses, que trouxeram &#8211; de forma for\u00e7ada &#8211; os primeiros imigrantes africanos. Ao longo dos anos at\u00e9 o per\u00edodo contempor\u00e2neo, chegaram ao solo do le\u00e3o do nordeste: libaneses, venezuelanos, haitianos, russos, japoneses, chineses, senegaleses, angolanos e outras nacionalidades. Segundo dados de 2022 da Pol\u00edcia Federal, existem, no m\u00ednimo, 9.856 imigrantes no estado. O n\u00famero n\u00e3o inclui quem entra de forma irregular, portanto, \u00e9 subnotificado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Azul-Inspirador-Fotocentrico-Fatos-e-Estatisticas-sobre-Plastico-no-Oceano-Infografico-410x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-421\" width=\"308\" height=\"768\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Entre as comunidades de imigrantes presentes em Pernambuco est\u00e3o a japonesa e a mu\u00e7ulmana. Mesmo n\u00e3o estando entre as mais numerosas do estado, ambas contribuem para para a diversidade da cultura pernambucana e representam uma pot\u00eancia local.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comunidade japonesa em Pernambuco \u2014 105 anos de hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Os primeiros japoneses a chegarem ao Brasil desembarcaram no Porto de Santos no dia 18 de junho de 1908. Cerca de 781 pessoas, 165 fam\u00edlias, desceram do navio Kasato Maru e migraram para a regi\u00e3o oeste de S\u00e3o Paulo, com o objetivo de trabalhar nas lavouras de caf\u00e9. S\u00f3 foi permitida a vinda de viajantes casados e com filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O contexto hist\u00f3rico do Jap\u00e3o \u00e9 muito importante para a compreens\u00e3o das principais raz\u00f5es que motivaram a imigra\u00e7\u00e3o japonesa naquela \u00e9poca. Durante a Era Meiji, iniciada em 1868, os impostos cobrados dos camponeses aumentaram consideravelmente, assim, muitos deles deixaram o campo e passaram a habitar a cidade. Com o crescimento da popula\u00e7\u00e3o, houve um forte incentivo ao deslocamento para a Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No cen\u00e1rio brasileiro, \u00e9 poss\u00edvel observar um aumento no pre\u00e7o de pessoas escravizadas com a proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro em 1850. Assim, os fazendeiros passaram a contratar m\u00e3o de obra imigrante para trabalhar nas lavouras. Com os japoneses, eram assinados contratos de tr\u00eas a sete anos. Os trabalhos realizados eram semelhantes \u00e0 escravid\u00e3o, com sal\u00e1rios baixos e uma carga hor\u00e1ria abusiva. Assim, os trabalhadores abandonavam as fazendas assim que seus contratos terminaram, migrando para outras cidades, principalmente em Minas Gerais e no Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Apesar da hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil ter se iniciado somente no s\u00e9culo XX, as trocas hist\u00f3ricas entre o Jap\u00e3o e Pernambuco s\u00e3o bem anteriores a esse per\u00edodo. De acordo com Maria Oliveira, doutoranda em Hist\u00f3ria na Universidade Federal de Pernambuco e pesquisadora da Coordenadoria de Estudos da \u00c1sia, associada \u00e0 UFPE, brasileiros eram proibidos de comercializar diretamente com o continente asi\u00e1tico, pois a coroa portuguesa temia perder o controle das rotas de com\u00e9rcio intra-asi\u00e1tico, que eram muito lucrativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c<em>Na minha disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, \u2018Pernambuco na Carreira da \u00cdndia e as rotas de com\u00e9rcio com a \u00c1sia Portuguesa (s\u00e9c. XVII-XIX)\u2019, eu investiguei um pouco das rela\u00e7\u00f5es entre PE e a \u00c1sia e como elas se iniciam com trocas materiais mediadas pelos portugueses no per\u00edodo colonial<\/em>\u201d, conta Maria. Segundo ela, a promulga\u00e7\u00e3o do \u00c9dito de Hakata em 1587, que dificultou a presen\u00e7a dos jesu\u00edtas no Jap\u00e3o, tornou a presen\u00e7a portuguesa na regi\u00e3o bastante complicada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A pesquisadora acrescenta: \u201c<em>Com a institui\u00e7\u00e3o do Shogunato Tokugawa em 1603, os europeus deixam de ser bem vindos no pa\u00eds, at\u00e9 a expuls\u00e3o completa e o in\u00edcio da pol\u00edtica de fechamento do Jap\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o da ilha artificial de Dejima, onde holandeses e alguns poucos ingleses, comercializavam por n\u00e3o possu\u00edrem interesse em missionar no pa\u00eds<\/em>\u201d. Dessa forma, os portugueses s\u00f3 conseguem acessar os produtos japoneses por meio de terceiros, durante a ocupa\u00e7\u00e3o holandesa da costa do Recife. \u201c<em>Essas trocas s\u00e3o mais &#8216;indiretas&#8217; e se d\u00e3o principalmente a partir da exporta\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar pernambucano para o leste asi\u00e1tico em busca de artigos de luxo como sedas, porcelanas, leques e outros itens<\/em>\u201d, relata Oliveira. O primeiro imigrante japon\u00eas a se estabelecer em Pernambuco foi o Sr. Asanosuke Gemba, em 1918. \u201c<em>A maior parte dos japoneses que imigraram diretamente para o estado chegaram no p\u00f3s-guerra, e se envolveram diretamente com a atividade agropecu\u00e1ria, diversificando depois suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, afirma a doutoranda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 2008, cerca de 200 fam\u00edlias representavam a comunidade nipo-pernambucana. Atualmente, a presen\u00e7a japonesa em Pernambuco contribui expressivamente para a economia do estado, tanto no Recife quanto no interior. \u201c<em>Al\u00e9m disso, sua presen\u00e7a no calend\u00e1rio cultural do Recife \u00e9 marcante, com grande aten\u00e7\u00e3o aos seus eventos culturais tradicionais, al\u00e9m de eventos sazonais, como mostras de cinema, exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas, semin\u00e1rios acad\u00eamicos e mais<\/em>\u201d, diz Maria Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A pesquisadora tamb\u00e9m menciona que, num comparativo com outros estados brasileiros que possuem comunidades fortes de imigrantes japoneses, a comunidade nip\u00f4nica de Pernambuco ainda \u00e9 pequena, e por algum tempo muitos descendentes apresentavam pouco interesse em manter vivas as tradi\u00e7\u00f5es culturais e a l\u00edngua, fato que vem mudando gradativamente. \u201c<em>H\u00e1 maior incentivo por parte de institui\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o Jap\u00e3o, que publica o Marugoto, material did\u00e1tico utilizado pela Escola de L\u00edngua Japonesa do Recife; e como a JICA, que recentemente ajudou a financiar a reinaugura\u00e7\u00e3o da ELJR<\/em>\u201d, informa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A Coordenadoria de Estudos da \u00c1sia, tamb\u00e9m conhecida como Ce\u00e1sia, \u00e9 o centro de estudos do qual Maria Oliveira faz parte. O instituto ajuda a manter a cultura japonesa viva em Pernambuco e tem como objetivo disseminar conhecimentos sobre o tema dentro e fora da Universidade Federal de Pernambuco, organizando diversos eventos acad\u00eamicos. As atividades s\u00e3o divididas nas seguintes curadorias: Assuntos do Jap\u00e3o, Rela\u00e7\u00f5es Sino-Africanas, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, Pol\u00edtica Industrial e Institui\u00e7\u00f5es, Matrizes Energ\u00e9ticas, Seguran\u00e7a Alimentar e Aquisi\u00e7\u00e3o de Terras, Timor Leste e demais Pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico, Hist\u00f3ria da China, Literatura Asi\u00e1tica, e Estudos Coreanos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/infografico-japao-1-575x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-402\" width=\"431\" height=\"768\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Islamofobia e propaga\u00e7\u00e3o da paz: a realidade da comunidade mu\u00e7ulmana no Recife e seus imigrantes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Quando se pensa \u201cmu\u00e7ulmano\u201d, qual a pimeira palavra que vem \u00e0 sua mente?<br>Provavelmente vai ser algo relacionado a bomba ou guerra. A religi\u00e3o isl\u00e2mica, que tem como adeptos os mu\u00e7ulmanos, \u00e9 origin\u00e1ria da Ar\u00e1bia Saudita, mas como qualquer outra religi\u00e3o furou a bolha e se espalhou pelo mundo. Logo, no Brasil, tamb\u00e9m h\u00e1 muitos fi\u00e9is e no Recife, n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/6549-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-393\" width=\"512\" height=\"384\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Centro isl\u00e2mico do Recife &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 na Rua da Gl\u00f3ria, no bairro da Boa vista, no cora\u00e7\u00e3o da capital do Estado de<br>Pernambuco que encontra-se o \u00fanico centro isl\u00e2mico (CI) da cidade. Em Pernambuco, ao todo, tem dois CI, um no Recife e o outro em Caruaru. O primeiro conta com mais ou menos 100 associados, e dentre eles diversos imigrantes da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Orientalismo \u00e9 uma corrente de estudo do ocidente sobre as culturas dos pa\u00edses da \u00c1sia. Segundo Henrique Faiani Buongermino, estudioso da Universidade Federal do Pampa, \u201cA perspectiva Orientalista est\u00e1 intrinsecamente ligada com uma vis\u00e3o colonialista, a qual coloca os orientais como \u201cb\u00e1rbaros\u201d ou \u201cincivilizados\u201d, e \u00e9 necess\u00e1rio que o ocidente traga a eles tal avan\u00e7o social\u201d. \u00c9 a partir dessa vis\u00e3o, que muitas vezes a m\u00eddia resumiu e generalizou os mu\u00e7ulmanos como selvagens, estendendo essas consequ\u00eancias at\u00e9 para os pr\u00f3prios brasileiro que escolheram seguir a religi\u00e3o. Situa\u00e7\u00e3o muito bem resumida por Najdaty Andrade, brasileira, integante do Centro Isl\u00e2mico do Recife, mas que por seguir o islamismo, utiliza o Hijab e por isso muitos acham que ela \u00e9 imigrante de algum pa\u00eds \u00e1rabe. \u201cNem todo \u00e1rabe \u00e9 mu\u00e7ulmano, tem muito \u00e1rabe que \u00e9 cirst\u00e3o, como tamb\u00e9m, nem todo mu\u00e7ulmano \u00e9 \u00e1rabe, tem brasileiro, arentino, paraguaio\u2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>(Sub) Miss\u00e3o das isl\u00e2micas recifenses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Valquiria Silva, brasileira, tamb\u00e9m integrante do CI recifense, fala sobre as diversas situa\u00e7\u00f5es de islamofobia que sofre na rua diariamente. \u201cChamam muito mulher bomba. \u2018Olha a mulher bomba\u2019, a gente escuta sempre\u201d. Ela tamb\u00e9m contou um caso de agress\u00e3o, que passou no \u00f4nibus, onde duas estudantes puxaram o v\u00e9u da cabe\u00e7a dela. Muitas pessoas relacionam as mulheres isl\u00e2micas como submissas, mas Najdaty explica que alguns pa\u00edses \u00e1rabes patriarcais mal interpretam o islam, mas isso \u00e9 um problema cultural. \u201c<em>Vem de pa\u00edses patriarcais de homens ignorantes, onde muitos n\u00e3o sabem nem l\u00ea e interpretam errado o alcor\u00e3o. Eles t\u00eam uma cultura machista de impor, mas isso \u00e9 cultural e n\u00e3o religioso<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/IMG_5429-2-1024x739.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-395\" width=\"512\" height=\"370\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Mulheres do centro isl\u00e2mico do Recife &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O pluralismo do Centro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No CI do Recife, a grande maioria das mulheres s\u00e3o brasileiras, mas a maior parte dos homens s\u00e3o imigrantes. Muitos v\u00eam de pa\u00edses africanos, como Senegal, Egito e \u00e1rabe, com o L\u00edbano. Para Add el Rahim Ali Hoblos, libanes imigrante, apesar da m\u00eddia fazer propaga\u00e7\u00f5es negativas sobre os adeptos da religi\u00e3o, ele se considera muito bem recebido pelos recifenses. \u201c<em>Antigamente chamava todo mu\u00e7ulmano de terrorista, mas agora todo mundo sabe que a relegi\u00e3o mu\u00e7ulmana s\u00f3 prega paz e o amor<\/em>\u201d. O imigrante do Senegal, Aliou Sall, que veio para o munic\u00edpio atr\u00e1s de oportunidade de emprego, diz que, em geral, tamb\u00e9m se sente bem recepcionado pelos recifenses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Por\u00e9m, apesar da boa hospitalidade, Add el Rhaim sente falta de mais apoio do estado. \u201c <em>At\u00e9 o nome de Recife vem de origem \u00e1rabe, Arrecife. A gente gosta da cidade, mas precisamos de mais apoio aqui. Pelo menos um centro isl\u00e2mico, que j\u00e1 foi prometido, mas nunca cumprido<\/em>\u201d. Para os dois o Centro Isl\u00e2mico de Recife \u00e9 como uma casa, em meio um pa\u00eds com uma cultua t\u00e3o diferente. \u201c<em>\u00c9 um lugar bom para pregar a palavra de Deus, e juntar todas as pessoas que querem rezar e agradecer. E a gente s\u00f3 tem essa casa pequenininha<\/em>\u201d, diz o liban\u00eas. \u201c<em>\u00c9 bom porque podemos rezar juntos e fazer coisas juntos. Venho toda semana<\/em>\u201d, afirma o senegal\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Matheus Emiliano e Rafael Gueiros<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0  <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=387"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":674,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions\/674"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}