{"id":709,"date":"2023-11-29T16:02:48","date_gmt":"2023-11-29T19:02:48","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/?p=709"},"modified":"2024-02-10T17:01:12","modified_gmt":"2024-02-10T20:01:12","slug":"me-sinto-insuficiente-e-nao-acho-que-tenho-escolha-sobre-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/me-sinto-insuficiente-e-nao-acho-que-tenho-escolha-sobre-isso\/","title":{"rendered":"\u201cMe sinto insuficiente e n\u00e3o acho que tenho escolha sobre isso\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Sou padr\u00e3o e carregada de vazios pela inexist\u00eancia de um livre arb\u00edtrio do belo<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/modificado-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-826\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/modificado-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/modificado-980x653.jpg 980w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/modificado-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem alterada por IA<br>Foto: Amanda Rem\u00edgio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia humana de ser uma mulher da era tecnol\u00f3gica, com a influ\u00eancia crescente da intelig\u00eancia artificial no padr\u00e3o de beleza feminino \u00e9 o cerne desta insufici\u00eancia. Sinto-me assim n\u00e3o por escolha, mas pelo lembrete di\u00e1rio de que nada do que fui ou serei poder\u00e1 um dia se enquadrar neste ideal de perfei\u00e7\u00e3o. Esta, inalcan\u00e7\u00e1vel, \u00e9 esculpida pelo que n\u00e3o existe (algoritmos).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 confuso ter a consci\u00eancia de que meu conceito de belo n\u00e3o me pertence. Apesar da lucidez que me permite tecer cr\u00edticas a este mesmo padr\u00e3o, me vejo presa numa coreografia vertiginosa de superficialidade. Onde est\u00e1 meu livre arb\u00edtrio?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o possu\u00edmos nem o corpo, nem uma verdade \u2013 nem sequer uma ilus\u00e3o. Somos fantasmas de mentiras, sombras de ilus\u00f5es\u201d- Fernando Pessoa<\/p>\n\n\n\n<p>O poeta nunca esteve t\u00e3o certo, vivemos um corpo de ilus\u00f5es. No mundo onde os algoritmos ditam o que \u00e9 bonito, as mulheres vivem \u00e0 sombra de sua pr\u00f3pria autoimagem, ou no caso, a sombra da imagem que nunca ter\u00e3o. Pelo menos, fora das telas. Somos fantasmas de mentiras, assassinadas pela perfei\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fundador do racionalismo moderno, o fil\u00f3sofo Ren\u00e9 Descartes (1596-1650) faz a rela\u00e7\u00e3o entre liberdade e o conceito de livre-arb\u00edtrio. Para ele, o ser humano \u00e9 livre enquanto pode escolher fazer ou n\u00e3o alguma coisa sem ser coagido por for\u00e7a exterior. Eis ent\u00e3o um questionamento: Na sociedade em que vivemos, sendo os algoritmos e a intelig\u00eancia artificial essa for\u00e7a exterior que nos direciona para a imers\u00e3o quase que obrigat\u00f3ria em um padr\u00e3o de beleza, existe o livre arb\u00edtrio?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que temos medo de morrer. Para Bauman (2008), a invisibilidade \u00e9 a morte. Na era da IA e da modernidade l\u00edquida, a busca incessante pela valida\u00e7\u00e3o de ser algo ou algu\u00e9m atrav\u00e9s dos padr\u00f5es de beleza cria esta armadilha. Como dizia Durkheim, \u201co homem \u00e9 produto do meio\u201d. Assim, somos ref\u00e9ns dos algoritmos, produtos da compara\u00e7\u00e3o com o irreal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algoritmos e padr\u00e3o de beleza<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia artificial que comp\u00f5e os algoritmos de redes sociais, como Instagram, e motores de busca, como o Google, desempenha um papel crucial na personaliza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado exibido aos usu\u00e1rios. Esse \u00e9 um ponto importante para entendermos a falta de livre arb\u00edtrio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao direcionar imagens que se alinham a estere\u00f3tipos est\u00e9ticos convencionais, esses algoritmos contribuem com a dissemina\u00e7\u00e3o de um ideal de beleza. Assim, associa-se a perfei\u00e7\u00e3o a um corpo saud\u00e1vel, magro, jovem e, principalmente, de tonalidade branca, tudo baseado em padr\u00f5es anglicizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7amos uma experi\u00eancia. Pesquise as seguintes palavras na busca do Google:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Magra&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>Beleza<\/li>\n\n\n\n<li>Liso<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Todos os resultados apresentados pela intelig\u00eancia artificial dos motores de busca pendem para uma imagem feminina dentro dos padr\u00f5es de beleza que j\u00e1 citamos. Mas por que isso acontece?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exportamos nossos preconceitos. A intelig\u00eancia artificial replica o comportamento humano, ou seja, com o avan\u00e7o da sociedade no mundo digital, a presen\u00e7a dos problemas sociais tamb\u00e9m passaram a fazer parte do virtual.\u00a0Mas isso n\u00e3o se limita s\u00f3 ao que nos \u00e9 direcionado. Somos os produtores do nosso sofrimento, reproduzimos este padr\u00e3o irreal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acessibilidade tecnol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Photoshop nem \u00e9 mais necess\u00e1rio. Para al\u00e9m dos aplicativos cada vez mais modernos, os filtros com mudan\u00e7as faciais e corporais j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis nas pr\u00f3prias redes sociais. Vemos diante de nossos olhos a acessibilidade tecnol\u00f3gica e a intelig\u00eancia artificial sendo usada na constru\u00e7\u00e3o do inacess\u00edvel. Entramos numa espiral de sofrimento, onde por n\u00e3o conseguir alcan\u00e7ar um padr\u00e3o, nos rendemos \u00e0s facilidades tecnol\u00f3gicas para sustentar a ideia, pelo menos no virtual, que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inacess\u00edvel assim (mesmo que de fato seja).<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo real est\u00e1 morto. Essa foi a constata\u00e7\u00e3o do\u00a0 fil\u00f3sofo alem\u00e3o, Dietmar Kamper (2011). Ele pontua que a cultura midi\u00e1tica de autorreferencialidade excessiva, a qual vivemos, demonstra esse desejo pelo imagin\u00e1rio. Assim, o corpo que est\u00e1 vivo \u00e9 o corpo das imagens, e cultuando uma imagem perfeita, refutamos o nosso pr\u00f3prio corpo. O doutor em comunica\u00e7\u00e3o e psicologia Rodrigo Sanches explica o conceito de Corpus Alienum, que se relaciona com a ideia de Kamper.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe eu preciso me retocar para ser visto em um outro universo que n\u00e3o \u00e9 o da realidade, \u00e9 porque eu n\u00e3o estou gostando do que eu vejo. \u00c9 assim que a intelig\u00eancia artificial cria o que chamamos de <em>corpus alienum<\/em>, o corpo alienado. A imagem do corpo belo, feminino, est\u00e1 alcan\u00e7ando o status, isso vai ser aprimorado com a intelig\u00eancia artificial, o status de um ET, mas que \u00e9 vendido para n\u00f3s como belo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma doutrina a ser seguida. Rodrigo explica que o conceito de belo e inacess\u00edvel que compreendemos na atualidade n\u00e3o surgiu por acaso. Fomos ensinadas a nos massacrar pela compara\u00e7\u00e3o com a imagem distorcida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA publicidade, ela sempre alterou o corpo feminino. Nas propagandas, o belo era a mulher de corpo magro, pele clara e na maioria das vezes cabelo liso, etc. H\u00e1 relat\u00f3rios da ONU sobre a publicidade brasileira que apontam esses mesmos aspectos em rela\u00e7\u00e3o ao corpo feminino.\u201d&nbsp; Ele aponta que o primeiro estere\u00f3tipo \u00e9 o do uso do Photoshop.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o pesquisador, quando esses recursos saem das capas de revistas e se tornam acess\u00edveis \u00e0 mulher dita comum, cria-se um ideal de adequa\u00e7\u00e3o. Assim, com poucos cliques todos normalizam o ato de alterar a pr\u00f3pria imagem no universo das redes sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, por exemplo, o Instagram anunciou uma medida para remover filtros que simulavam cirurgias pl\u00e1sticas e adicionou uma ferramenta de den\u00fancia aos que violavam as pol\u00edticas da rede. Quatro anos se passaram e n\u00e3o houve mudan\u00e7a significativa. \u00c9 cotidiano lidar com imagens cada vez mais distorcidas de conhecidos passando pelo feed. A normaliza\u00e7\u00e3o desses padr\u00f5es inalcan\u00e7\u00e1veis cria um desejo irreal, e \u00e9 assim que a busca pela perfei\u00e7\u00e3o sai das telas e chega ao bisturi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tortura est\u00e9tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Pl\u00e1stica Est\u00e9tica (ISAPS), o n\u00famero de procedimentos cosm\u00e9ticos, como preenchimentos e cirurgias pl\u00e1sticas, aumentou significativamente nos \u00faltimos anos, em parte devido \u00e0 influ\u00eancia das m\u00eddias sociais. Al\u00e9m disso, o Brasil \u00e9 o que mais realiza essas interven\u00e7\u00f5es em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ver essa mudan\u00e7a na pr\u00e1tica. Essa \u00e9 a viv\u00eancia da dermatologista Virg\u00ednia Paiva, especialista em procedimentos est\u00e9ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente percebe uma procura muito maior. A maioria s\u00e3o mulheres ap\u00f3s os 30 anos e j\u00e1 chegam com essa vis\u00e3o de que existe o rosto perfeito. E a\u00ed a pessoa quer fazer procedimentos que fa\u00e7am com que ela tenha um rosto parecido com aquele que \u00e9 considerado ideal. Tem sido muito comum eu negar fazer procedimentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionada sobre qual seria o padr\u00e3o almejado pelas mulheres em seu consult\u00f3rio, a m\u00e9dica respondeu que \u00e9 comum ver mulheres que j\u00e1 est\u00e3o dentro de um ideal de beleza buscarem por mais modifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas j\u00e1 chegam com aquele rosto de boneca e querem boc\u00e3o de Angelina Jolie. Voc\u00ea sabe que aquilo n\u00e3o vai ficar esteticamente bem, que n\u00e3o combina, mas como o boc\u00e3o \u00e9 uma coisa que \u00e9 vista na internet como o belo, ent\u00e3o \u00e0s vezes a paciente quer, sabe? Isso \u00e9 uma das coisas que eu mais nego\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos fazer uma compara\u00e7\u00e3o com o que foi revelado pela dermatologista.Usei a&nbsp; intelig\u00eancia artificial atrav\u00e9s do site midjourney.ai.ai para criar uma imagem do que \u00e9 considerado uma mulher bonita. A pesquisa se limita a estas palavras. Por quest\u00f5es \u00e9ticas n\u00e3o detalhei mais informa\u00e7\u00f5es e deixei que o algoritmo confirmasse minhas suspeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 not\u00f3rio que temos tra\u00e7os finos, e claro, o boc\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o perdi a oportunidade de tentar entender o que a IA classificaria como uma mulher feia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que posso dizer diante destes resultados \u00e9 que somos a rasura mal tra\u00e7ada de nossos pr\u00f3prios preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um relato de hipocrisia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da hipocrisia de almejar pertencer ao ideal de beleza tanto quanto qualquer outra mulher, me dou ao direito da ignor\u00e2ncia por compreender que tudo isso \u00e9 maior que uma escolha, \u00e9 uma viol\u00eancia di\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim dessa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 feliz. N\u00e3o esperem um discurso de \u201ctemos que nos libertar dos padr\u00f5es de beleza e nos aceitar\u201d. Eu n\u00e3o o fiz. N\u00e3o h\u00e1 vergonha de admitir, sou padr\u00e3o e carregada de vazios pela inexist\u00eancia de um livre arb\u00edtrio do conceito de belo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou um peda\u00e7o do retalho de todas n\u00f3s, compelidas a perseguir o inalcan\u00e7\u00e1vel, mergulhando em uma espiral onde a busca pela perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 o nosso purgat\u00f3rio. \u00c9 poss\u00edvel ver o c\u00e9u e sentir o ardor de viver o inferno que \u00e9 ser uma mulher ordin\u00e1ria, em um mundo de ordin\u00e1rias trajadas de m\u00e1scaras milimetricamente usadas para disfar\u00e7ar a dor da perfei\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Somos paramentadas de uma vulnerabilidade, deformadas por n\u00f3s mesmas.Somos fantasmas de mentiras, sombras de ilus\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou padr\u00e3o e carregada de vazios pela inexist\u00eancia de um livre arb\u00edtrio do belo A experi\u00eancia humana de ser uma mulher da era tecnol\u00f3gica, com a influ\u00eancia crescente da intelig\u00eancia artificial no padr\u00e3o de beleza feminino \u00e9 o cerne desta insufici\u00eancia. Sinto-me assim n\u00e3o por escolha, mas pelo lembrete di\u00e1rio de que nada do que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":826,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709"}],"collection":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=709"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1114,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/709\/revisions\/1114"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}