{"id":724,"date":"2023-11-29T16:34:24","date_gmt":"2023-11-29T19:34:24","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/?p=724"},"modified":"2024-02-10T21:58:03","modified_gmt":"2024-02-11T00:58:03","slug":"nos-te-conhecemos-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/nos-te-conhecemos-melhor\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00f3s te conhecemos melhor\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Com possibilidades cada vez mais diversas e acess\u00edveis da intelig\u00eancia artificial, a utiliza\u00e7\u00e3o constante da aprendizagem de m\u00e1quina pode alterar o senso humano do prazer pelas pequenas conquistas?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De t\u00e3o cansada de procurar, Alice desiste e se entrega \u00e0 facilidade inevit\u00e1vel e t\u00e3o atraente que estava \u00e0 sua frente o tempo todo: ao inv\u00e9s de quebrar a cabe\u00e7a depois de um longo dia com mais de 20 crian\u00e7as de 5 anos de idade levando sua sanidade ao limite, a pedagoga aceita um dos filmes recomendados da pr\u00f3pria Netflix. Apesar de achar aquilo demasiadamente conformista, tamb\u00e9m considera particularmente interessante, afinal, \u201ccomo eles conseguem me conhecer t\u00e3o bem?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em grande parte do dia, a jovem professora de 25 anos atende pela alcunha de \u201cTia Alice\u201d, mas al\u00e9m do tempo que passa dentro da sala de aula numa atividade que, mesmo nobre e cheia de amor, \u00e9 demasiadamente desgastante, ela tem outras obriga\u00e7\u00f5es: planejamento de&nbsp; aulas, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, afazeres dom\u00e9sticos e \u2014 n\u00e3o menos importante \u2014 relaxar, porque ningu\u00e9m \u00e9 de ferro!<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mais de ferro (ao menos n\u00e3o estruturalmente) e h\u00e1 muito tempo, onde est\u00e3o comportadas as intelig\u00eancias artificiais. Diferente do que muita gente pensa, esses mecanismos n\u00e3o est\u00e3o somente presentes em \u201crob\u00f4s\u201d dentro de grandes empresas ou centros de pesquisa. Est\u00e3o, na verdade, mais perto do que a gente imagina \u2014 mais perto e bem mais presentes!<\/p>\n\n\n\n<p>Sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o de filmes de plataforma de streaming que eu, voc\u00ea e Alice utilizamos s\u00e3o um exemplo bem simples disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada clique, cada termo pesquisado, cada s\u00e9rie abandonada, quaisquer intera\u00e7\u00f5es feitas na Netflix s\u00e3o dados e esse amontoado \u00e9 analisado por algoritmos que conseguem extrair material capaz de mapear o comportamento do usu\u00e1rio, prefer\u00eancia e padr\u00f5es dentro do que j\u00e1 foi assistido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a partir dessas an\u00e1lises feitas que a intelig\u00eancia artificial consegue prever quais s\u00e9ries ou filmes um usu\u00e1rio pode gostar; e sem pensar duas vezes, esse conte\u00fado \u00e9 recomendado para voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seria essa utilidade realmente ben\u00e9fica e inofensiva? <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41599-023-01787-8\">Um estudo feito com 285 estudantes universit\u00e1rios chineses e paquistaneses, publicado pela Revista Nature, um dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos mais importantes do mundo, em junho de 2023<\/a>, revelou que \u201ca intelig\u00eancia artificial impacta significativamente a perda da tomada de decis\u00e3o humana e torna os humanos pregui\u00e7osos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisa, a IA \u00e9 a grande respons\u00e1vel atualmente por 68,9% da pregui\u00e7a em humanos; a culpada, em 68,6% das vezes, em quest\u00f5es relacionadas \u00e0 privacidade pessoal e seguran\u00e7a; e em 27,7% dos casos, a grande vil\u00e3 causadora da perda da capacidade de tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A humanidade vive o boom da intelig\u00eancia artificial generativa. A todo momento surgem novas ferramentas que conseguem desenvolver textos, ou como o Midjourney, que geram imagens a partir de um input descritivo. Antes, a IA era mais conhecida por sua capacidade classificativa: tal coisa \u00e9 um gato ou um cachorro, um p\u00e1ssaro, um avi\u00e3o\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 literalmente um boom. S\u00e3o mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que acontecem num ritmo t\u00e3o fren\u00e9tico que a humanidade n\u00e3o consegue se preparar; elas ocorrem em tempo real e bem na nossa frente. Aproveitamos as benesses do momento sem nos preocuparmos com as consequ\u00eancias a longo prazo que essa substitui\u00e7\u00e3o inofensiva pode trazer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cFeito para [insira seu nome aqui]\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 2020, pleno auge da pandemia da COVID-19, o Spotify, plataforma de streaming de m\u00fasica, podcast e v\u00eddeo, lan\u00e7ou campanha com o slogan \u201cWe know you better\u201d ou, em tradu\u00e7\u00e3o literal, \u201cn\u00f3s te conhecemos melhor\u201d \u2014 frase que intitula esta mat\u00e9ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da campanha, obviamente, seria o de angariar mais usu\u00e1rios para o servi\u00e7o, mas a propaganda do jeito que a IA seria utilizada \u00e9 a grande sacada do plano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/spotify-2-723x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-727\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O diferencial do Spotify \u00e9 a sua capacidade de vender como algo estritamente positivo pela sua possibilidade de adapta\u00e7\u00e3o ao perfil musical do usu\u00e1rio. Essa personaliza\u00e7\u00e3o pode acontecer de algumas formas. Eis aqui algumas delas:<\/p>\n\n\n\n<ol>\n<li><strong>Caminho Di\u00e1rio:<\/strong> uma lista de reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 atualizada diariamente apresenta uma sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas e epis\u00f3dios de podcasts de not\u00edcias que o algoritmo do Spotify acredita serem as essenciais para o seu perfil. Em poucas palavras, um combo de m\u00fasica e informa\u00e7\u00e3o: \u00e9 como um r\u00e1dio \u00fanico que s\u00f3 toca na sua frequ\u00eancia.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Feito para voc\u00ea:<\/strong> \u00e9, de fato, feito para voc\u00ea. O Spotify recomenda Mixes. S\u00e3o reunidas de cinco a seis playlists personalizadas com base nos seus h\u00e1bitos de escuta, hist\u00f3rico de reprodu\u00e7\u00e3o e prefer\u00eancias musicais. As m\u00fasicas s\u00e3o agrupadas por g\u00eanero.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Retrospectiva:<\/strong> a queridinha dos usu\u00e1rios! Todos esperam ansiosamente o final do ano para saber suas estat\u00edsticas de quantos minutos e segundos foram ouvidos.&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Match:<\/strong> uma sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas baseadas no seu gosto e de mais um amigo ou algu\u00e9m especial; \u00e9 tamb\u00e9m atualizado todos os dias.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Foi essa capacidade de personaliza\u00e7\u00e3o que levou a Psic\u00f3loga e Mestranda em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Helena Strecker a desenvolver uma an\u00e1lise para entender de que maneira \u201ca plataforma de m\u00fasica Spotify concebe e anuncia suas ferramentas de personaliza\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as suas descobertas foram apresentadas durante o 46\u00ba Congresso Brasileiro de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o (Intercom), ocorrido na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC Minas), em Belo Horizonte, de 5 a 8 de setembro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"512\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Helena-Strecker-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-732 size-full\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Helena-Strecker-2.jpg 512w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Helena-Strecker-2-480x480.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 512px, 100vw\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>Intitulado \u201c<a href=\"https:\/\/sistemas.intercom.org.br\/pdf\/link_aceite\/nacional\/11\/0816202321561164dd702b6c0b7.pdf\">Imagin\u00e1rios Algor\u00edtmicos no Spotify: Sistemas de Recomenda\u00e7\u00e3o e a Promessa de Nos Conhecer Melhor do que N\u00f3s Mesmos<\/a>\u201d, o artigo de Helena discute as \u201cambiguidades que envolvem a promessa de ultra personaliza\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estariam elas relacionadas em como a utiliza\u00e7\u00e3o constante da aprendizagem de m\u00e1quina pode alterar o senso humano do prazer pelas pequenas conquistas? Para isso precisamos, primeiro, entender o que \u00e9 auto realiza\u00e7\u00e3o e por que ela \u00e9 t\u00e3o importante para a experi\u00eancia humana.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com a autora, \u00e9 a vertente da psicologia humanista que considera a auto realiza\u00e7\u00e3o como \u201cuma necessidade existencial humana, um postulado b\u00e1sico do desenvolvimento psicol\u00f3gico [&#8230;] t\u00e3o importantes para o ser humano quanto necessidades fisiol\u00f3gicas, como se alimentar, respirar e dormir, ainda que essas \u00faltimas sejam priorit\u00e1rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da vida, no dia a dia, temos dificuldades \u2014 o que \u00e9 completamente normal. Precisamos aprender a como amarrar o cadar\u00e7o sozinhos, cortar um papel, aprender a cozinhar, dobrar as pr\u00f3prias roupas, escrever um artigo\u2026 e \u00e9 \u201cna supera\u00e7\u00e3o de desafios ou dificuldades que est\u00e1 a oportunidade de crescimento pessoal, o que tamb\u00e9m pode nos levar a uma reflex\u00e3o mais profunda sobre nossas pr\u00f3prias habilidades, nossas limita\u00e7\u00f5es, e como desenvolvemos estrat\u00e9gias pr\u00f3prias para superar as dificuldades\u201d, afirma Helena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA dificuldade, portanto, \u00e9 vista n\u00e3o como um obst\u00e1culo, mas como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e auto realiza\u00e7\u00e3o\u201d, complementa a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais coach que a frase seguinte possa parecer, s\u00e3o as dificuldades que nos fazem crescer como seres humanos. N\u00f3s nos conhecemos a partir do processo de supera\u00e7\u00e3o. E \u00e9 a\u00ed que come\u00e7a o problema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Helena explica que \u201ca personaliza\u00e7\u00e3o ou recomenda\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica opera a partir da premissa de que os algoritmos seriam capazes de \u2018conhecer\u2019 ou \u2018entender\u2019 os usu\u00e1rios a partir de dados coletados nas nossas a\u00e7\u00f5es digitais, como cliques, curtidas, conte\u00fados consumidos etc\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAtrav\u00e9s dessa an\u00e1lise dos nossos dados de intera\u00e7\u00e3o com as plataformas, os algoritmos seriam capazes de revelar qual m\u00fasica queremos escutar, no caso do Spotify, qual filme queremos ver, no caso da Netflix, ou qual livro queremos comprar, no caso da Amazon. Mais do que isso, as plataformas reivindicam que conseguem descobrir essas informa\u00e7\u00f5es de forma mais aut\u00eantica, verdadeira e r\u00e1pida do que n\u00f3s mesmos\u201d, continua.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2023_2\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/spotify-1-1-723x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-729\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Strecker chama isso de \u201cprocesso de datifica\u00e7\u00e3o dos sujeitos\u201d. Esse fen\u00f4meno nos resume a dados \u2014 dados que s\u00e3o submetidos a an\u00e1lises digitais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela comenta que trata-se de \u201cuma l\u00f3gica nova de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00f5es, uma vez que n\u00e3o somos vistos por aquilo que pensamos ser ou dizemos sobre n\u00f3s mesmos, mas por tudo aquilo que pode ser medido ou calculado computacionalmente sobre n\u00f3s. Em outras palavras, pelas \u201cidentidades algor\u00edtmicas\u201d que nos s\u00e3o atribu\u00eddas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa datifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica restrita somente \u00e0s redes, ela molda e afeta nosso comportamento. Deixamos de estar acostumados com as adversidades e n\u00e3o sabemos n\u00e3o saber. No final das contas, eles nos conhecem melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Afinal, seremos menos criativos daqui pra frente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bem, esta \u00e9 uma pergunta que s\u00f3 o tempo poder\u00e1 responder. Por outro lado, nem s\u00f3 de contextos apocal\u00edpticos \u00e9 alimentado o futuro dessa tecnologia. De acordo com Robson Cavalcanti Lins, doutor em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o e professor e coordenador deste mesmo curso na Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (Unicap), a nossa autonomia n\u00e3o ser\u00e1 (ao menos n\u00e3o completamente) afetada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA criatividade sempre vai existir independente da intelig\u00eancia artificial. As atividades repetitivas foram e continuam sendo substitu\u00eddas pela intelig\u00eancia artificial. No meu ponto de vista, o fato da IA ter a capacidade de substituir as atividades repetitivas significa que podemos dedicar nosso tempo para outras tarefas, como aperfei\u00e7oar um determinado processo numa empresa\u201d, afirma o professor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caminhando na toca do coelho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAonde fica a sa\u00edda?&#8221;, perguntou Alice ao gato que ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201dDepende\u201d, respondeu o gato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201dDe qu\u00ea?\u201d, replicou Alice;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201dDepende de para onde voc\u00ea quer ir&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(Alice no Pa\u00eds das Maravilhas, Lewis Carroll, 1865)<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a IA generativa ou sistemas de recomenda\u00e7\u00e3o podem ser tanto uma b\u00ean\u00e7\u00e3o quanto uma maldi\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao nosso prazer pelas pequenas conquistas. Fazer uma pesquisa sozinho, encontrar uma m\u00fasica s\u00f3 com um trecho da letra que voc\u00ea ouviu rapidamente, escrever um bom texto para a escola ou faculdade, desenvolver a an\u00e1lise completa de um produto para o trabalho pode ser tanto uma experi\u00eancia incr\u00edvel quanto traum\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo \u00e9 que todo mundo tem prazer de fazer alguma coisa e certamente voc\u00ea n\u00e3o abrir\u00e1 m\u00e3o e deixar\u00e1 que uma intelig\u00eancia artificial fa\u00e7a isso por voc\u00ea, seja cozinhar, aprender passos de dan\u00e7a, caminhar, fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos, aprender algum instrumento musical afinal, nem todo mundo sente interesse nas mesmas coisas e a import\u00e2ncia de pequenas conquistas \u00e9 diferente para cada uma das mais de oito bilh\u00f5es de pessoas que habitam na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Alice, tal qual sua xar\u00e1 do pa\u00eds das maravilhas, s\u00f3 conseguir\u00e1 tra\u00e7ar seu caminho quando descobrir a melhor forma de utilizar a intelig\u00eancia artificial. Essa forma, de prefer\u00eancia, \u00e9 uma que n\u00e3o \u00e9 danosa e nem que deixa sempre ela escolher por voc\u00ea, mas juro que, de vez em quando, tamb\u00e9m n\u00e3o faz mal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com possibilidades cada vez mais diversas e acess\u00edveis da intelig\u00eancia artificial, a utiliza\u00e7\u00e3o constante da aprendizagem de m\u00e1quina pode alterar o senso humano do prazer pelas pequenas conquistas? 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