{"id":127,"date":"2024-04-30T19:46:55","date_gmt":"2024-04-30T22:46:55","guid":{"rendered":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2024_1\/?p=127"},"modified":"2024-11-26T16:17:24","modified_gmt":"2024-11-26T19:17:24","slug":"a-historia-de-rosineide-santana-pautada-pela-mobilidade-no-recife","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2024_1\/a-historia-de-rosineide-santana-pautada-pela-mobilidade-no-recife\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de Rosineide Santana pautada pela mobilidade no Recife"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p>TIAGO HUNKA\u0301<\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As diferentes manifesta\u00e7\u00f5es dentro da Comunidade do Pilar refletem uma queixa que se arrasta h\u00e1 muito tempo. Os moradores reclamam das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e das poucas iniciativas e aux\u00edlios por parte da Prefeitura. Uma das queixas mais comuns \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de que o bairro \u00e9 p\u00e9ssimo e praticamente invis\u00edvel para quem \u00e9 de fora. Rosineide Francisca de Santana, de 63 anos, aposentada e moradora da comunidade h\u00e1 mais de 20 anos, relata que sua viv\u00eancia no Pilar n\u00e3o tem sido agrad\u00e1vel. Segundo ela, um dos principais problemas \u00e9 a falta de acesso \u00e0 mobilidade.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rosineide nasceu e cresceu no bairro de Santo Amaro. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Filha de profissionais aut\u00f4nomos, &#8220;Rose&#8221; come\u00e7ou a trabalhar bem cedo, como faxineira dom\u00e9stica, para ajudar a fam\u00edlia<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Na \u00e9poca, ganhava um sal\u00e1rio-m\u00ednimo por m\u00eas fazendo jornadas duplas, que mais tarde a ajudaram a melhorar as condi\u00e7\u00f5es dentro de casa. <strong>\u201cFiz igual a minha m\u00e3e e meu pai, trabalhei com tudo que tinha dispon\u00edvel para mim\u201d<\/strong>, disse Rosineide, sobre como foi trabalhar de maneira aut\u00f4noma para ajudar em casa, na mesma \u00e9poca que estudava.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais tarde, ela foi apresentada a novas oportunidades de emprego, trabalhando como bab\u00e1 para fam\u00edlias na regi\u00e3o da Tamarineira e na rua da Aurora. Ap\u00f3s essa experi\u00eancia, conseguiu uma vaga como auxiliar de cozinha, onde trabalhou por um bom tempo em restaurantes e lanchonetes no centro da cidade. Depois de ser demitida do emprego anterior, conseguiu uma vaga como cobradora de \u00f4nibus. Esse foi um dos momentos mais marcantes da hist\u00f3ria de Rosineide, quando ela conseguiu melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e mudou sua vida. Foi tamb\u00e9m nessa \u00e9poca que ela se casou e constituiu uma fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2024_1\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-06-13-at-17.54.55-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-288\"\/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u201cFoi um momento gratificante para mim, pude cuidar do meu primeiro filho e viver de maneira confort\u00e1vel junto do meu marido, ainda em Santo Amaro, na antiga casa da minha m\u00e3e\u201d<\/strong>. Apesar de ter passado por dificuldades econ\u00f4micas anteriormente, Rosineide conseguiu seguir uma vida mais tranquila desde que se tornou cobradora de \u00f4nibus.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O terminal onde come\u00e7ou a trabalhar foi em Cruz de Rebou\u00e7as (Igarassu), seguindo os trajetos para Ramiro Costa, at\u00e9 o centro da cidade do Recife, de segunda a sexta-feira, trabalhando das 4h da manh\u00e3 at\u00e9 as 20h da noite. Apesar das dificuldades como cobradora de \u00f4nibus, as \u00fanicas preocupa\u00e7\u00f5es que vinham em mente era se o seu sal\u00e1rio poderia garantir uma boa educa\u00e7\u00e3o para o filho que, na \u00e9poca, ainda cursava o Ensino Fundamental.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de trabalhar quatro anos para a empresa Oliveira, ela conseguiu uma vaga em outra companhia de \u00f4nibus, a Itamarac\u00e1 Transportes. Ap\u00f3s mais quatro anos trabalhando para a empresa como cobradora, ela viu seu destino mudar novamente: ficou desempregada, mas conseguiu o direito \u00e0 carteira assinada como lavadeira, um ano depois, no Porto do Recife.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de estar trabalhando, o dinheiro n\u00e3o era o suficiente para pagar todas as despesas e, portanto, Rosineide de segunda a sexta-feira ainda fazia a limpeza geral no Porto, pela manh\u00e3, e durante a tarde na antiga Livraria S\u00e3o Paulo, servindo caf\u00e9 como gar\u00e7onete.<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em><strong> \u201cEu tinha que fazer jornada dupla, se n\u00e3o eu n\u00e3o conseguiria comprar comida e pagar a conta de luz. Sempre arrumava um jeito de me virar\u201d<\/strong>.\u00a0<\/em><\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na \u00e9poca em que Rosineide trabalhava como lavadeira no Porto do Recife, ela ainda morava no bairro de Santo Amaro. De l\u00e1, pegava um \u00f4nibus para a Boa Vista e, em seguida, para o terminal de Joana Bezerra, onde embarcava no \u00f4nibus circular at\u00e9 a parada em frente ao Porto, na Avenida Alfredo Lisboa, ao lado da Comunidade do Pilar.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s se mudar para a Comunidade do Pilar, e ainda trabalhando no Porto, Rosineide tinha que percorrer um longo caminho &#8211; muitas vezes \u00e0 p\u00e9, uma vez que a linha de \u00f4nibus foi desativada &#8211; at\u00e9 chegar \u00e0 antiga Livraria S\u00e3o Paulo, na Rua Frei Caneca, no centro, para trabalhar. Atualmente aposentada, morando junto com o filho mais velho, depois de fazer jornadas duplas como lavadeira e gar\u00e7onete, ela conta que morar no Pilar ainda \u00e9 dif\u00edcil, e que seria muito melhor se alguns dos problemas da comunidade fossem resolvidos priorizando o bem-estar dos seus vizinhos.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>\u201cEu j\u00e1 trabalhei como cobradora de \u00f4nibus por v\u00e1rios anos e sei que, se essa linha voltasse, com o antigo Circular Joana Bezerra, facilitaria muito a vida de quem mora por aqui tamb\u00e9m. N\u00f3s que estamos aqui no Pilar n\u00e3o temos muito, mas estamos tendo um pouquinho de dificuldade na quest\u00e3o de se locomover pela cidade.Parece que a comunidade n\u00e3o existe para os olhos de quem passa por aqui, parece que somos invis\u00edveis\u201d, ressaltou Rosinede, sobre como \u00e9 viver no bairro Pilar, e como se sentem abandonados e esquecidos. <\/em><\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Someone was in the pod. The tracks go off in this direction. Look, sir &#8212; droids.Eaque ipsa quae ab illo inventore veritatis et quasi. 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