Sabemos que o romance não é só um. Na verdade, as histórias de amor possuem diversas características que diferenciam um do outro sejam nos conflitos, personagens e até mesmo no desenrolar do relacionamento amoroso. Originado e popularizado na escola literária do Romantismo no final do século XIX, o romance é subdividido em vários subgêneros, sendo alguns deles a comédia romântica, o romance drama, o romance histórico e o romance de fantasia. Nesse sentido, o impacto de cada subtópico no cinema será demonstrado ao decorrer da matéria.
O primeiro subgênero romântico a ser apresentado é a comédia romântica, sendo a mais querida entre o público de jovens e adolescentes. Sucesso em bilheteria, a história de uma comédia romântica retrata momentos engraçados e vergonhosos que os protagonistas se envolvem antes de ficarem juntos. Sejam eles conhecidos, desconhecidos, amigos ou inimigos. Logo, para a estudante de enfermagem Maria Júlia Araujo, de 26 anos, o segredo para ter uma ótima comédia romântica é aquela que traz uma leveza diante de uma situação embaraçosa que compromete o relacionamento do casal. “Quando eu tô cansada do trabalho ou da faculdade, eu sempre coloco um filme de comédia romântica pra esquecer dos meus problemas porque quando eu assisto um filme assim, eu acabo não focando muito em mim porque no filme eu acabo vendo que tem gente pior do que eu”, responde Maria.
Foram nos anos 90 que o gênero da comédia romântica se popularizou graças à atriz Julia Robert, que protagonizou filmes de sucesso no subgênero como “Uma linda mulher”, “Um lugar chamado Notting Hill” e “O casamento do meu melhor amigo”. Todas especificam o mesmo objetivo: a protagonista e o seu par romântico precisam lidar com os obstáculos da vida se quiserem ficar juntos, mas vivenciando de forma icônica e divertida.
Apesar de quase ter sido extinta nos anos 2013 e 2016 por conta da fama dos filmes de super-heróis no cinema, a comédia romântica foi preservada graças aos streamings que, além de resgatar os filmes já feitos, também optaram em criar suas próprias histórias. Esse é o caso da plataforma Netflix, em que seu público é representado pelo público de 50-55% das mulheres entre as idades de 18 a 39 anos segundo dados do site The Bussiness Model Analystic em 2024, que possui obras do subgênero que até hoje são lembradas e consumidas pelos assinantes como a franquia “Para todos os garotos que já amei”, “Modo Avião”, “Meu eterno talvez”, entre outros.

Titanic. Divulgação
Já o drama romântico é o total oposto de uma comédia romântica. Nele, os personagens enfrentam provações e conflitos ainda mais graves como uma doença terminal ou uma tragédia repentina para construírem um relacionamento, mas a grande parte deles não terminam juntos no filme. A ideia é que os personagens devem aproveitar os momentos únicos e bons da vida para aprenderem a lidar com as dificuldades de forma não prejudicial a eles mesmos. Um bom exemplo de filme dramático adaptado do livro do mesmo nome, sem dúvidas, é “A culpa é das estrelas” (2014). Nele, dois adolescentes estão tratando de um câncer que está prejudicando suas vidas, mas apesar disso, eles escolhem o amor em meio aos problemas que vivenciam. A forma como ambos utilizam deixou o público aos prantos que não se abalaram de início por conta da leveza e da simplicidade nas histórias, mas o clima muda drasticamente quando acontece o triste final. Outros filmes que operam desse método são diversos, entre eles estão “Doce novembro”, “Meu primeiro amor”, “Um amor para recordar”, “Titanic”, etc.
De acordo com o professor de Letras da Universidade Católica de Pernambuco, Robson Teles, o drama romântico, assim como o romance histórico, possui sua essência única para trazer essas narrativas de forma cuidadosa e respeitosa para que não haja um efeito prejudicial a respeito do que está sendo abordado. “Mesmo com um assunto muito sério, com uma temática muito pesada, a linguagem tem que ser leve. A linguagem tem que ser envolvente, dinâmica, leve e puxando para um elemento aqui ou ali de ludicidade. Eu acho que a gente vive momentos tão difíceis, tempos tão difíceis, que a gente de certa maneira tá procurando espaços de diversão, de leveza e ludicidade”, argumenta.
Já o romance de época pode conter a mesma narrativa que o romance drama, tendo finais felizes ou tristes. Na história, é preciso o uso da contextualização da história da época que vai ser retratada, como por exemplo a idade média e a idade moderna. Portanto, deve ser retratado com clareza os costumes, as si tuações e as personalidades dos indivíduos que conviveram naquela época para que o relacionamento seja estruturado de acordo com aquele determinado período histórico. “Orgulho e preconceito”, “A sociedade literária e a torta de casca de batata” e “Shakespeare apaixonado” são alguns dos clássicos desse subgênero.
Por fim, o subgênero que, para o professor Robson, é o mais consumido atualmente se trata do romance de fantasia. De todos os tipos já citados, o romance de fantasia pode estar mais ligado a ficção do que a maioria. Com elementos envolvendo poderes mágicos, seres inexistentes e detalhes fantasiosos, é a fórmula perfeita para conquistar os fãs do gênero que não gostam de ler a realidade de forma direta. “São ligadas exatamente a um processo de analogia com a realidade e a questão da representação simbólica mesmo, a gente pega Divertidamente, O Urso Panda, Wicked, os três têm uma grande bilheteria (…), estão no mesmo universo da fantasia, no universo da simbologia, da metaforização”, justifica.
Logo, para os fãs de um romance como a estudante Valentine Duarte, de 15 anos, a fantasia é o que mais incentiva a entender o que acontece ao redor dos personagens antes de iniciarem o relacionamento. “Eu acho que a fantasia não desconstrói o romance, na verdade, ele só deixa o público mais animado porque, querendo ou não, é uma coisa de outro mundo, né. Tipo os contos de fadas que têm o casal, né, de príncipe e princesa, mas eles têm bruxas, dragões, fadas, elfos e tudo que não existe. Acho legal isso porque isso me faz escapar de uma realidade chata e sem beleza por causa da maldade humana e várias coisas”, alega a adolescente que é familiarizada com os filmes de adaptação da Disney dos contos das princesas como “Branca de Neve”, “Cinderela”, “A Bela e a fera” e entre outros.
