{"id":188,"date":"2026-04-24T09:57:41","date_gmt":"2026-04-24T12:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/o-berro-2025-1-11"},"modified":"2026-04-24T10:19:05","modified_gmt":"2026-04-24T13:19:05","slug":"para-sempre-tricolor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/?p=188","title":{"rendered":"Para sempre tricolor"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, viralizou em p\u00e1ginas e perfis tricolores nas redes sociais um v\u00eddeo de um pai tricolor com o seu pequeno filho nos bra\u00e7os, comemorando a vit\u00f3ria do Santa Cruz contra o Ferrovi\u00e1rio, do Cear\u00e1, no Arruda, pela s\u00e9tima rodada da S\u00e9rie D do Campeonato Brasileiro 2025. De imediato, esbocei um sorriso alegre ao ver o momento, no entanto, ap\u00f3s uma longa pausa de reflex\u00e3o notei que eu n\u00e3o me lembro da minha primeira vez no est\u00e1dio.<\/p>\n<p>Antes, vamos voltar no tempo. Rubro-negro de ber\u00e7o, eu n\u00e3o tive muita escolha se n\u00e3o torcer pelo Sport, afinal, pai, m\u00e3e, av\u00f4, tio, irm\u00e3o e quase todos os familiares &#8211; que se importam com futebol &#8211; s\u00e3o torcedores do Le\u00e3o da Ilha. Antes mesmo de aprender a falar, as cores vermelhas e pretas faziam parte do meu guarda-roupa, contudo, n\u00e3o me recordo de nenhum momento torcendo para o Sport.<\/p>\n<p>Claro, partidas televisionadas chamavam a minha aten\u00e7\u00e3o e conseguiam &#8211; por alguns instantes &#8211; me aquietar, mas eu nunca torci. Eu n\u00e3o nem gostava de futebol, at\u00e9 ent\u00e3o. O que mudou na vida deste jornalista para que ele decidisse anos depois dedicar o seu tempo e escrever esta cr\u00f4nica sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o futebol?<\/p>\n<p>Bom, vamos l\u00e1!<\/p>\n<p>Depois de anos separada, minha m\u00e3e, conhecida popularmente como Dona Ce\u00e7a, casa novamente com um antigo amor da sua gradua\u00e7\u00e3o, inclusive, eles se conheceram na Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, ela cursando Psicologia e ele Geografia &#8211; veja a ironia do destino que tamb\u00e9m me levou a escrever este texto na Unicap.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o relacionamento ser aben\u00e7oado pelos pav\u00f5es, n\u00f3s mudamos para a casa de Fernando, que hoje tenho o orgulho de chamar de pai. Na \u00e9poca, ele dificilmente perdia um jogo do Santa Cruz, adorava ir ao est\u00e1dio beber, confraternizar com os amigos tricolores e torcer pelo \u2018\u2019santinha\u2019\u2019. E n\u00e3o demorou para passar esse sentimento para mim, seu filho mais novo. Seus filhos de outros casamentos, j\u00e1 estavam preocupados com o vestibular e moravam em outras casas, n\u00e3o tinham o costume de acompanh\u00e1-lo. Mas eu tive. Como disse, eu n\u00e3o lembro da minha primeira vez no est\u00e1dio, mas guardo m mim diversas mem\u00f3rias e saudades de um Arruda sempre lotado, sempre cantando, sempre tricolor. Desde o primeiro jogo &#8211; que n\u00e3o fa\u00e7o ideia qual tenha sido &#8211; at\u00e9 hoje, o sentimento \u00e9 o mesmo: amor.<\/p>\n<p>O que foi paix\u00e3o \u00e0 primeira vista se tornou um sentimento muito maior de identifica\u00e7\u00e3o e pertencimento. Evoco lembran\u00e7as banais, como o cheiro de cerveja que impregna ap\u00f3s a comemora\u00e7\u00e3o de um gol, subir nas costas do meu pai, a m\u00e3o tingida pelo corante vermelho do picol\u00e9, a manteiga da pipoca salgada, a provid\u00eancia duvidosa do salsich\u00e3o, os mosaicos, os bandeir\u00f5es, as faixas de campe\u00e3o, at\u00e9 de Jesus Tricolor, uma entidade no Arruda.<\/p>\n<p>Recordo de partidas importantes, como a vit\u00f3ria na Copa do Brasil em cima do S\u00e3o Paulo, com mais de 40 mil torcedores no est\u00e1dio, os estaduais vencidos contra o Sport e o t\u00edtulo in\u00e9dito da Copa do Nordeste, em 2016. Claro, nada disso teria o meu sorriso se n\u00e3o tivesse em cada um desses momentos o meu pai ali do lado comigo.<\/p>\n<p>Uma vez \u2018\u2019minha j\u00f3ia\u2019\u2019, Thiago Medeiros, questionou o meu pai. \u2018\u2019Fez o menino virar tricolor, senhor Fernando? Pelo menos viveu momentos \u00e1ureos\u2019\u2019, claro que sim!<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m, aprendi que a vit\u00f3ria \u00e9 somente uma das possibilidades de resultado de uma partida, mas a festa nas arquibancadas \u00e9 fundamental para se viver. A composi\u00e7\u00e3o de Capiba \u00e9 certeira: Santa Cruz, Santa Cruz \/\/ Junta mais esta vit\u00f3ria \/\/ Santa Cruz, Santa Cruz \/\/ Ao teu passado de gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Juntos, o sentimento de unidade que desejo passar adiante \u00e9 fruto de uma viv\u00eancia que n\u00e3o me recordo quando come\u00e7a, tampouco me preocupa como ir\u00e1 acabar, pois o que eu quero mesmo \u00e9 continuar sendo tricolor, e por enquanto, isso basta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, viralizou em p\u00e1ginas e perfis tricolores nas redes sociais um v\u00eddeo de um pai tricolor com o seu pequeno filho nos bra\u00e7os, comemorando a vit\u00f3ria do Santa Cruz contra o Ferrovi\u00e1rio, do Cear\u00e1, no Arruda, pela s\u00e9tima rodada da S\u00e9rie D do Campeonato Brasileiro 2025. 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