{"id":199,"date":"2026-04-24T09:57:41","date_gmt":"2026-04-24T12:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/o-berro-2025-1-22"},"modified":"2026-04-24T21:04:54","modified_gmt":"2026-04-25T00:04:54","slug":"quem-e-voce-quando-nao-esta-tentando-ser-amada-por-alguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/?p=199","title":{"rendered":"\u201cQuem \u00e9 voc\u00ea quando n\u00e3o est\u00e1 tentando ser amada por algu\u00e9m?\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Escutei de uma entrevistada certa vez uma frase que ecoou por dias na minha mente, me fazendo refletir: \u201cQuem sou quando n\u00e3o estou tentando ser amada por algu\u00e9m?\u201d Quem sou sem a ideia de que estou sendo observada? O que me motiva, de verdade, a buscar minha melhor vers\u00e3o, sem ser por causa de terceiros?<\/p>\n<p>Lembrei ent\u00e3o de algumas das minhas sess\u00f5es de terapia \u2014 que foram muitas. O assunto principal sempre girava em torno da forma como eu me moldava para agradar os outros. Vivia baseada no que imaginava que esperavam de mim. Exatamente, baseado em \u201cfontes da minha pr\u00f3pria cabe\u00e7a\u201d. E sim&#8230; isso ficou no passado. Deixei esse pensamento intrusivo de lado depois que perdi noites e mais noites de sono estudando sobre assuntos de psicol\u00f3gica por pura curiosidade. Depois de assistir milhares de document\u00e1rios e fazer entrevistas com especialistas, entendi, nessa jornada do jornalismo (e da vida), que nenhuma cobran\u00e7a externa supera a que criamos dentro da nossa pr\u00f3pria mente.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma jovem em seus 20 e poucos anos, j\u00e1 vivi \u2014 e ainda vivo \u2014 grandes desafios em meus relacionamentos. Amizades, fam\u00edlia, uns poucos amores. Mas o que seria de n\u00f3s, essa gera\u00e7\u00e3o pressionada a viver tudo com urg\u00eancia, se base\u00e1ssemos o amor apenas em amar a n\u00f3s mesmas?<\/p>\n<p>Fomos treinadas a lidar desde cedo com o universo das redes sociais. Crescemos assistindo as cl\u00e1ssicas com\u00e9dias rom\u00e2nticas, escutando antes de dormir hist\u00f3rias de princesas e durante muito tempo, nosso principal objetivo de vida era encontrar um pr\u00edncipe encantado.<\/p>\n<p>Mas antes disso, precis\u00e1vamos \u201cnos amar\u201d. Amar de dentro para fora. Cuidar da sa\u00fade. Ir ao m\u00e9dico. Tomar vitaminas. Comer direito. Manter a forma. Se comportar. \u201cNada de exageros, mocinha, vai passar vergonha.\u201d. Ao mesmo tempo, dev\u00edamos estar presentes nas redes. Postar fotos, ir \u00e0s melhores festas, viver grandes hist\u00f3rias de amor. Todas impec\u00e1veis, claro. E se desse errado? \u201cFica tranquila, foi s\u00f3 aprendizado. O pr\u00f3ximo vai compensar.\u201d &#8211; Antes fosse f\u00e1cil assim!<\/p>\n<p>Durante anos, fui levada pelo que meus c\u00edrculos gostavam, faziam, falavam. Aonde iam, com quem estavam, o que comiam, o que bebiam. Isso me fez feliz? Sim \u2014 mas tamb\u00e9m me apagou. Eu era um reflexo. Moldava opini\u00f5es, copiava gostos. Que muitas vezes, nem eram meus. At\u00e9 que um dia a conta chegou.<\/p>\n<p>Com a maioridade, tudo mudou. A vida adulta bateu \u00e0 porta. Veio a responsabilidade, os boletos, o foco nos estudos, no trabalho. E a\u00ed, aquele teatro que eu encenava para ser aceita, perdeu o sentido. Mas, ironicamente, foi justamente a\u00ed que comecei a esquecer de mim.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o deixei de me amar, mas deixei de zelar por esse amor.<\/strong><\/p>\n<p>Amor-pr\u00f3prio n\u00e3o \u00e9 conceito pronto. \u00c9 pr\u00e1tica. \u00c9 atitude. E eu parei de praticar. Me negligenciei. Parei de me cuidar. A rotina virou um ciclo autom\u00e1tico: casa, trabalho, faculdade. Vivia acreditando que a independ\u00eancia era o que importava. \u201cSou forte, sou capaz, estou vencendo.\u201d. Mas afinal, a que custo?<\/p>\n<p>Meu psicol\u00f3gico estava indo por \u00e1gua abaixo. Alimenta\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima, noites em claro, corpo cansado. Achava que era o pre\u00e7o a pagar por realizar o sonho de ser independente t\u00e3o cedo. Mas os dias perderam a cor. Eu n\u00e3o me reconhecia mais. Era eficiente, produtiva \u2014 mas n\u00e3o era feliz. Porque, no fundo, ainda buscava aprova\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que agora, disfar\u00e7ada de sucesso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o precisei parar. Recome\u00e7ar. Sair do emprego que me adoecia foi o primeiro passo. Tentei me reencontrar. Redescobrir o que gostava. Nessa fase, a faculdade foi, ironicamente, o lugar onde me encontrei. Onde percebi que meus princ\u00edpios valem mais do que qualquer ideal que criem sobre mim.<\/p>\n<p>Outro grande desafio de se tornar uma adulta \u00e9 encarar os novos amores. \u2014 Sim no plural.<\/p>\n<p>Os amores\u2026 chegam feito furac\u00e3o. Mudam tudo de lugar. \u00c0s vezes parecem calmos, mas basta um sopro e tudo vira caos. E a\u00ed voc\u00ea se pega, mais uma vez, tentando ser amada. Se veste diferente. Se comporta diferente. Tenta parecer interessante. Vai ficando ansiosa&#8230; Insegura&#8230; Se pergunta se est\u00e1 sendo demais. Se est\u00e1 sendo pouco. Se est\u00e1 sendo suficiente.<\/p>\n<p>A grande verdade? \u00c9 que se fosse um amor de verdade jamais estaria exigindo que voc\u00ea mude quem \u00e9.<\/p>\n<p>O grande ponto \u00e9 que eu era apaixonada pela ideia de ser vista, ouvida, compreendida \u2014 n\u00e3o por quem eu era, mas por quem eu fingia ser.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, depois de muitas falhas, um dia caiu a ficha: O amor-pr\u00f3prio n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 skincare e frases motivacionais. \u00c9 sil\u00eancio. \u00c9 se encarar sem filtros. \u00c9 estar s\u00f3 e, ainda assim, sentir-se completa. \u00c9 desligar o celular e perceber que o mundo continua.<\/p>\n<p>A gente passa tanto tempo tentando se encaixar que esquece como \u00e9 existir s\u00f3 por si.<\/p>\n<p>At\u00e9 entender, enfim, que amor-pr\u00f3prio n\u00e3o \u00e9 uma vers\u00e3o melhorada de si para os outros.<\/p>\n<p>\u00c9 a verdade de quem somos quando ningu\u00e9m est\u00e1 olhando.<\/p>\n<p>Hoje, eu me pergunto mais uma vez: \u201cQuem sou eu quando n\u00e3o estou tentando ser amada por algu\u00e9m?\u201d<\/p>\n<p>E, finalmente, descobri: Eu sou \u201ceu\u201d. de forma aut\u00eantica. com minhas pr\u00f3prias falhas, minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria e meus pr\u00f3prios erros. Num mundo que grita por perfei\u00e7\u00e3o, ser quem eu sou \u2014 sem disfarces \u2014 \u00e9 meu maior ato de amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escutei de uma entrevistada certa vez uma frase que ecoou por dias na minha mente, me fazendo refletir: \u201cQuem sou quando n\u00e3o estou tentando ser amada por algu\u00e9m?\u201d Quem sou sem a ideia de que estou sendo observada? 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