{"id":207,"date":"2026-04-24T09:57:41","date_gmt":"2026-04-24T12:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/o-berro-2025-1-30"},"modified":"2026-04-24T22:07:49","modified_gmt":"2026-04-25T01:07:49","slug":"e-como-ajudar-a-construir-uma-estrela-com-as-proprias-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/?p=207","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 como ajudar a construir uma estrela com as pr\u00f3prias m\u00e3os\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Por tr\u00e1s de Sayuri Heiwa, existe o amor firme e cuidadoso de Heitor. Marido, produtor, confidente e coautor de cada brilho que reluz no palco. Nesta conversa \u00edntima, ele abre o cora\u00e7\u00e3o e revela como \u00e9 viver os bastidores da arte de quem se ama.<\/p>\n<p>Sentado \u00e0 beira da bancada de maquiagem, entre tecidos cintilantes e uma parafern\u00e1lia de pedrarias, Heitor sorri como quem j\u00e1 viu esse espet\u00e1culo come\u00e7ar mil vezes \u2014 e ainda assim se emociona. Ele n\u00e3o est\u00e1 no centro da cena, mas \u00e9 imposs\u00edvel falar de Sayuri Heiwa sem falar dele. Marido, produtor, bra\u00e7o direito e esquerdo da drag queen recifense, Heitor \u00e9 o alicerce invis\u00edvel que sustenta cada entrada triunfal. E nesta conversa, ele nos convida para um passeio pelos bastidores do seu amor.<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 Como foi que tudo come\u00e7ou? Quando voc\u00ea percebeu que queria estar n\u00e3o s\u00f3 ao lado da Sayuri, mas dentro do universo dela?<\/strong><\/p>\n<p>Heitor: &#8220;Foi tudo muito natural, sabe? A gente come\u00e7ou a namorar em 2013. Nessa \u00e9poca, a Sayuri estava dando uma pausa. Mas quando surgiu a chance dela voltar, em 2017, eu j\u00e1 fui junto. Comecei a acompanhar nos eventos, fazia os registros, filmava, tirava fotos&#8230; e de repente estava ali, metido em tudo. Me entrementes mesmo [riso]. Nunca mais parei.&#8221;<\/p>\n<p>Heitor fala com um brilho no olhar. Um brilho que lembra muito o que Sayuri leva ao palco \u2014 s\u00f3 que o dele \u00e9 mais discreto, quase c\u00famplice.<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 E como \u00e9 essa divis\u00e3o de pap\u00e9is: o marido e o produtor? S\u00e3o pessoas diferentes dentro de voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_457\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-457\" class=\"wp-image-457 size-medium\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/kim-6_tratada-208x300.jpg\" alt=\"\u00c9 imposs\u00edvel falar de Sayuri Heiwa sem falar de Heitor\" width=\"208\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-457\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9 imposs\u00edvel falar de Sayuri Heiwa sem falar de Heitor<\/p><\/div>\n<p>Heitor: &#8220;Ah, s\u00e3o sim! O marido \u00e9 mais tranquilo, n\u00e3o liga se a roupa t\u00e1 perfeita, se o salto combinou. J\u00e1 o produtor&#8230; esse \u00e9 exigente! Quer tudo certo, tudo impec\u00e1vel. E a\u00ed rola press\u00e3o, rola cobran\u00e7a, estresse. Mas \u00e9 por querer o melhor sempre. A gente vive num meio onde o cuidado com os detalhes faz toda a diferen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Heitor cruza os bra\u00e7os, como quem segura um pouco do peso que essa responsabilidade carrega. Mas logo relaxa quando falo de algo que Sayuri j\u00e1 havia contado \u2014 que \u00e0s vezes \u00e9 ele quem se entrega mais \u00e0 arte dela do que ela mesma.<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 \u00c9 verdade que voc\u00ea mergulha tanto na arte dela que parece viver cada gesto como seu?<\/strong><\/p>\n<p>Heitor: &#8220;\u00c9&#8230; eu me entrego demais mesmo. \u00c0s vezes, acho at\u00e9 que passo do ponto. Mas \u00e9 porque quero que tudo fique bonito, redondo, sem falhas. O p\u00fablico merece isso. Se a gente entrega um bom trabalho, ele se destaca. E com destaque vem reconhecimento, mais oportunidades. No fim, essa entrega toda \u00e9 por acreditar no que a gente est\u00e1 construindo juntos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 Voc\u00ea j\u00e1 disse que ajuda a bordar, a escolher m\u00fasicas&#8230; como \u00e9 amar ajudando a construir uma estrela com as pr\u00f3prias m\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p>Ele sorri, dessa vez, sem pressa. A resposta vem como um sopro leve.<\/p>\n<p>Heitor: &#8220;\u00c9 incr\u00edvel. Ver a roupa pronta, o n\u00famero montado, tudo ganhando vida&#8230; \u00e9 um orgulho danado. Me sinto parte de algo maior. Tipo miss\u00e3o cumprida, sabe? Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre estar junto \u2014 \u00e9 sobre fazer acontecer junto.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 E em Sayuri, o que \u00e9 voc\u00ea? O que tem de Heitor nesse espelho que reflete cor, dan\u00e7a e presen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Heitor: &#8220;Olha, a Sayuri tem um jeito s\u00f3 dela. A maquiagem, os trejeitos, os movimentos&#8230; s\u00e3o muito \u00fanicos. Mas tem pedacinhos meus ali, nos detalhes. Um brinco que escolhi, um jeito de prender o cabelo, um acess\u00f3rio. O salto alto que eu sugeri. \u00c0s vezes \u00e9 meu gosto que aparece ali, escondido no brilho.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 A arte dela tamb\u00e9m te molda? Desperta algo em voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Heitor: &#8220;Total. Me instiga, me d\u00e1 vontade de criar mais. A arte n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o palco. \u00c9 tecido, \u00e9 corte, \u00e9 ideia, \u00e9 m\u00fasica, \u00e9 cor. Cada pedacinho abre uma nova possibilidade pra eu trabalhar junto. Ela me provoca a pensar fora da caixa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O Berro \u2013 E de todas as faces da Sayuri&#8230; qual \u00e9 a que mais te toca? Aquela que faz seu cora\u00e7\u00e3o bater mais forte?<\/strong><\/p>\n<p>Heitor: &#8220;A do palco, com certeza. A Sayuri completa, pronta, entrando com tudo que a gente pensou e construiu&#8230; Aquilo me emociona. Ver o resultado final, o conjunto da obra, \u00e9 a parte que mais me encanta. Porque ali est\u00e1 tudo: o esfor\u00e7o, o cuidado, o amor.&#8221;<\/p>\n<p>A conversa termina como come\u00e7ou: com brilho. Mas n\u00e3o o que vem do glitter ou das luzes de cena. \u00c9 um brilho mais raro \u2014 o da partilha. Heitor n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o homem por tr\u00e1s da drag queen. Ele \u00e9 o parceiro que costura sonhos, um a um, com paci\u00eancia e devo\u00e7\u00e3o. E se existe m\u00e1gica no palco, \u00e9 porque, nos bastidores, existe amor.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito mais do que ajudar. \u00c9 viver junto. Cada show \u00e9 um peda\u00e7o de mim tamb\u00e9m.\u201d, conta Heitor.<\/p>\n<p>A conversa vai chegando ao fim como um espet\u00e1culo que se despede sob aplausos \u2014 com a certeza de que algo bonito foi compartilhado. Entre sorrisos, lembran\u00e7as e confiss\u00f5es, o que fica \u00e9 um sentimento que vai al\u00e9m da arte, al\u00e9m do palco, al\u00e9m dos bastidores.<\/p>\n<p>Heitor n\u00e3o ama s\u00f3 a Sayuri do palco. Ele ama Sayuri inteira \u2014 com suas d\u00favidas, brilhos, exaust\u00f5es e conquistas. Ama a artista, mas tamb\u00e9m a pessoa que existe por tr\u00e1s da peruca, entre uma costura e outra, na volta pra casa depois do show. E Sayuri, por sua vez, encontrou em Heitor mais do que um parceiro de vida: encontrou algu\u00e9m que n\u00e3o s\u00f3 acredita em seus sonhos, mas que arrega\u00e7a as mangas para torn\u00e1-los reais, todos os dias.<\/p>\n<p>O amor dos dois \u00e9 como a pr\u00f3pria arte drag: constru\u00eddo com camadas, feito de detalhes, moldado pela coragem de ser e fazer junto. \u00c9 amor que aprende, que se reinventa, que brilha at\u00e9 mesmo quando as luzes se apagam. Um amor que n\u00e3o se limita ao \u201ceu te amo\u201d no camarim, mas que se costura no figurino, se afina na trilha sonora e se revela inteiro quando Sayuri pisa no palco \u2014 sabendo que, no meio da plateia invis\u00edvel do cora\u00e7\u00e3o, Heitor estar\u00e1 sempre ali, torcendo, vibrando, ajudando a fazer da arte um lar.<\/p>\n<p>E talvez seja isso que torne os dois t\u00e3o fortes: o fato de que, no fim das contas, o amor deles tamb\u00e9m \u00e9 uma performance. N\u00e3o no sentido de fingimento \u2014 mas no de entrega. Uma apresenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, onde cada gesto diz: \u201cestou com voc\u00ea\u201d. E isso, sim, \u00e9 o que h\u00e1 de mais bonito no show da vida real.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-458 size-full\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/kim-8_tratada.jpg\" alt=\"\" width=\"827\" height=\"618\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/kim-8_tratada.jpg 827w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/kim-8_tratada-480x359.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 827px, 100vw\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por tr\u00e1s de Sayuri Heiwa, existe o amor firme e cuidadoso de Heitor. Marido, produtor, confidente e coautor de cada brilho que reluz no palco. 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