{"id":208,"date":"2026-04-24T09:57:41","date_gmt":"2026-04-24T12:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/o-berro-2025-1-31"},"modified":"2026-04-24T22:13:20","modified_gmt":"2026-04-25T01:13:20","slug":"o-amor-romantico-e-sua-influencia-no-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/?p=208","title":{"rendered":"O amor rom\u00e2ntico e sua influ\u00eancia no audiovisual"},"content":{"rendered":"<p>Quem nunca ficou feliz por um casal ficar juntos depois de enfrentarem dificuldades que o impediam de viver um romance? Ou quem nunca ficou triste porque uma trag\u00e9dia os separou? Essas s\u00e3o algumas das rea\u00e7\u00f5es que uma hist\u00f3ria de amor causa no seu p\u00fablico consumidor. Geralmente, adolescentes e jovens adultos s\u00e3o o p\u00fablico-alvo principal dos filmes que abordam uma hist\u00f3ria de amor, como \u00e9 o caso da estudante Valentine Duarte, de 15 anos, que come\u00e7ou a gostar do g\u00eanero ainda na inf\u00e2ncia. \u201cDesde pequena, eu sempre gostei de ver os filmes das princesas da Disney porque quando elas se encontravam com os seus pr\u00edncipes, eu torcia muito para que eles se beijassem e fossem felizes. E a\u00ed eu fui crescendo e comecei a ver outros filmes de romance porque eu gosto dessa coisa do casal ter seu felizes para sempre\u201d, diz.<\/p>\n<div id=\"attachment_462\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-462\" class=\"size-medium wp-image-462\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-1-vinculada-1_ju_tratada-300x151.jpg\" alt=\"Para todos os garotos que j\u00e1 amei. Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"300\" height=\"151\" \/><p id=\"caption-attachment-462\" class=\"wp-caption-text\">Para todos os garotos que j\u00e1 amei. Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Segundo os dados de Parrot Analytics realizado em 2023, baseado na quantidade m\u00e9dia das franquias \u201cPara todos os garotos que j\u00e1 amei\u201d e \u201cBarraca do beijo\u201d assistidas 30 dias ap\u00f3s o lan\u00e7amento, 82% dos consumidores s\u00e3o do p\u00fablico feminino de idade entre 13 e 22 anos, sendo 49% adolescentes. E ainda de acordo com o site, que analisou a quantidade de filmes rom\u00e2nticos dos anos 90 e 2000 assistidos em streamings e utilizando o multiplicador de demanda no Brasil, concluiu que \u201cTitanic\u201d \u00e9 o mais amado pelos f\u00e3s por ser procurado 17,3 vezes mais que \u201cOrgulho e Preconceito\u201d e \u201c10 coisas que eu odeio em voc\u00ea\u201d, confirmando que a hist\u00f3ria de Jack e Rose \u00e9 marcado na mem\u00f3ria de quem assistiu pela primeira vez por conta dos momentos de amor e a trag\u00e9dia que os separou. \u201cQuando eu assisti pela primeira vez, eu lembro que chorei muito porque eu n\u00e3o imaginava que isso ia acontecer e foi a\u00ed que eu percebi que nem toda hist\u00f3ria de amor acaba com os dois vivendo felizes para sempre como eu achava\u201d, relembra a estudante de enfermagem Maria J\u00falia de Ara\u00fajo, de 20 anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_465\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-465\" class=\"wp-image-465 size-medium\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-2-vincluada-1_ju-300x165.jpg\" alt=\"A Barraca do Beijo. Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"300\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-2-vincluada-1_ju-300x165.jpg 300w, https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-2-vincluada-1_ju.jpg 327w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-465\" class=\"wp-caption-text\">A Barraca do Beijo. Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Logo, para compreender o fen\u00f4meno do romance nos cinemas, \u00e9 preciso entender sua origem na literatura. O g\u00eanero surgiu no s\u00e9culo XIX durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa quando a burguesia estava no poder enquanto havia a produ\u00e7\u00e3o de poesias \u00e9picas, por\u00e9m o romance que conhecemos hoje foi gra\u00e7as a uma escola liter\u00e1ria que possui o mesmo nome: Romantismo, onde os sentimentos e as emo\u00e7\u00f5es ganhavam vida atrav\u00e9s da escrita, expressando a idealiza\u00e7\u00e3o do amor. Em seguida, n\u00e3o demorou muito para que essas hist\u00f3rias ganhassem vida no cinema e se popularizassem com o passar dos anos. \u00c9 o que o professor de Letras da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, Robson Teles, acredita. \u201c\u00c9 uma coisa muito mais recente, l\u00f3gico, at\u00e9 porque o cinema n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antigo. Ent\u00e3o a adapta\u00e7\u00e3o para o cinema, eu acho que \u00e9 uma forma de pegar uma narrativa que deu certo, que \u00e9 o romance, e experimentar uma outra linguagem, que \u00e9 a linguagem do cinema.\u201d, explica. Como exemplo, Robson recita obras liter\u00e1rias do Romantismo brasileiro que tiveram suas vers\u00f5es vividas nas telas do cinema. \u201cMuitos textos de Dom Casmurro, Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas de Machado de Assis, Helena de Alencar, j\u00e1 viraram pe\u00e7as de teatro e j\u00e1 viraram filmes\u201d, argumenta. Mas o que \u00e9 preciso para um romance ser atrativo para seu p\u00fablico?<\/p>\n<p>Embora as hist\u00f3rias de romance possuam o mesmo objetivo, isto \u00e9, retratar o relacionamento dos protagonistas sendo constru\u00eddo aos poucos, nem todas conseguem chamar a aten\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s. Um dos motivos tem a ver com a abordagem da narrativa e o estilo que diferenciam os romances atuais dos antigos. &#8220;Acho que o romance contempor\u00e2neo \u00e9 a cara do homem contempor\u00e2neo. Tem que ser uma quest\u00e3o de uma linguagem diferente, uma linguagem mais fluida. (&#8230;) Eu acho que a pr\u00f3pria narrativa, a forma de narrar e os problemas discutidos pelos romances dos s\u00e9culos XIX e XX s\u00e3o muito diferentes dos problemas discutidos, por exemplo, por n\u00f3s que j\u00e1 estamos no s\u00e9culo XXI. (&#8230;) Porque o romance reflete a sociedade.\u201d, explica o professor Robson. E para comprovar o racioc\u00ednio, Robson revela a experi\u00eancia dos jovens com os livros da \u00e9poca do Romantismo que trouxe para a sala de aula. \u201cQuando os meus alunos, por exemplo, do ensino m\u00e9dio, come\u00e7am a ler Alu\u00edsio Azevedo ou Machado de Assis, Jos\u00e9 de Alencar, eles n\u00e3o se identificam porque a linguagem \u00e9 contempor\u00e2nea aos autores.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do romance ficar interessante com uma escrita mais simples, o professor explica que para o adolescente se sentir representado na hist\u00f3ria, \u00e9 necess\u00e1rio que sua conviv\u00eancia no dia a dia seja descrita tanto na literatura quanto no cinema, para moldar o seu ponto de vista sobre diversos fatores de sua vida, como a sexualidade, fam\u00edlia e preconceito. \u201cMuitos romances que j\u00e1 vi sempre traziam coisas que j\u00e1 vivenciei, tipo quando eu me mudei para uma escola nova quando eu tinha 13 anos e sofri bullying por causa da minha apar\u00eancia. Foi a\u00ed que eu vi aquele filme l\u00e1 da Klara Castanho, em que ela faz a nerd exclu\u00edda, que fez me sentir compreendida pela primeira vez\u201d, revela Valentine quando assistiu ao filme \u201cConfiss\u00f5es de uma Garota Exclu\u00edda\u201d, adapta\u00e7\u00e3o do livro de Thalita Rebou\u00e7as.<\/p>\n<p>A obra fala de uma adolescente chamada Tet\u00ea que precisa lidar com a viol\u00eancia escolar praticada pelos colegas e ao mesmo tempo, com a fam\u00edlia dif\u00edcil e uma paix\u00e3o imposs\u00edvel. Por fim, o professor Robson refor\u00e7a que os personagens precisam ser o reflexo de quem os assiste. \u201cSem d\u00favida nenhuma, uma hist\u00f3ria em que o personagem principal \u00e9 simp\u00e1tico e o leitor se sente identificado com esse personagem, \u00e9 prov\u00e1vel que esse jovem se projete do ponto de vista psicanal\u00edtico, n\u00e9? De maneira freudiana ou de maneira cat\u00e1rtica, dizem os gregos, e acabe lendo o romance como se estivesse lendo sua pr\u00f3pria vida, at\u00e9 porque a arte reflete a passagem do homem para o mundo e como esse homem est\u00e1\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Partindo para a quest\u00e3o psicol\u00f3gica, os filmes de romance s\u00e3o os principais fatores quando se acredita num amor perfeito. O primeiro beijo, as borboletas no est\u00f4mago, o sorriso bobo s\u00e3o algumas das caracter\u00edsticas que causam, no adolescente e no jovem adulto, a sensa\u00e7\u00e3o de experimentar algo parecido com aquele pois, como se veem retratados na personalidade e no ambiente, acabam usando a obra como uma inspira\u00e7\u00e3o na vida real. Nesse sentido, a operadora de caixa Lorena Piovani, de 25 anos, confessa que j\u00e1 vivenciou essa fase.<\/p>\n<div id=\"attachment_466\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-466\" class=\"wp-image-466 size-medium\" src=\"https:\/\/oberro.unicap.br\/edicoes\/2025_1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/foto-3-principal-_ju_TRATADA-300x205.jpg\" alt=\"Crep\u00fasculo. Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"300\" height=\"205\" \/><p id=\"caption-attachment-466\" class=\"wp-caption-text\">Crep\u00fasculo. Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>\u201cNa minha \u00e9poca de adolescente, quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, eu era viciada nos filmes de Crep\u00fasculo e era apaixonada pelo Edward. Ent\u00e3o na minha cabe\u00e7a, eu iria namorar com algu\u00e9m que era igual a ele e pedia pra Deus que me desse um namorado que agisse como aquele vampir\u00e3o lindo\u201d, relata. E assim que foi questionada se foi influenciada pelos filmes a dar o seu primeiro beijo, Maria nega, mas alega ter visto outras jovens imitando os filmes quando come\u00e7avam a namorar. \u201cEu lembro de uma menina da minha sala que come\u00e7ou a agir que nem a Bela de Crep\u00fasculo para conseguir um namorado e ela at\u00e9 fez isso com um cara que ela tava namorando, tipo fingir que era depressiva, coisa que ela n\u00e3o era, s\u00f3 para o menino gostar mais dela. Mas da\u00ed n\u00e3o durou muito tempo porque ele beijou outra e ela quebrou a cara. Foi engra\u00e7ado, mas me deu d\u00f3 dela\u201d, exp\u00f5e.<\/p>\n<p>Antes de julgar os filmes e at\u00e9 o pr\u00f3prio p\u00fablico mais novo, deve-se olhar essa situa\u00e7\u00e3o do ponto de vista da Psicologia. Por isso, a psic\u00f3loga Viviane Barros demonstra o que diferencia a mentalidade de um jovem e um adolescente e o que levam a acreditar no amor idealizado pela fic\u00e7\u00e3o. \u201cA diferen\u00e7a est\u00e1 ligada a falta de experi\u00eancia, maturidade e a impulsividade presente na maioria dos adolescentes. O adulto tende a ser mais comedido, atento e um pouco mais consciente do que pode ser real ou imagin\u00e1rio. Os motivos, provavelmente, est\u00e3o ligados a necessidade de aceita\u00e7\u00e3o e busca da perfei\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, vale ressaltar que a fragilidade das rela\u00e7\u00f5es familiares, abusos diversos, preconceito, entre outros, propiciam a descren\u00e7a no pr\u00f3prio eu.\u201d, esclarece Viviane.<\/p>\n<p>Em complemento a fala, Viviane afirma que os filmes de romance impactam de duas maneiras distintas, desde que o jovem esteja consciente do que sente. \u201cOs efeitos positivos s\u00e3o: o trabalho com o imagin\u00e1rio e divulga\u00e7\u00e3o de pontos de vista diferentes. Os negativos, por outro lado, s\u00e3o a idealiza\u00e7\u00e3o de realidade fict\u00edcia como sendo a real, est\u00edmulo ao consumo diversos e, em alguns casos, se torna uma fuga da realidade.\u201d<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 preciso uma an\u00e1lise profunda dessas hist\u00f3rias que envolvem o psicol\u00f3gico dos jovens. A psican\u00e1lise de Sigmund Freud &#8211; citado, anteriormente, na fala do professor Robson &#8211; diz que n\u00e3o se deve olhar apenas para as a\u00e7\u00f5es que os protagonistas cometem de forma consciente, mas tamb\u00e9m a impulsividade que os motiva para fazer o tal ato, ou seja, quais s\u00e3o os conflitos, segredos e as causas que responsabilizaram o indiv\u00edduo que o levaram a escolher o amor. Logo, se os jovens olhassem ou fossem orientados pelas fam\u00edlias a ver por essa perspectiva, talvez entenderiam melhor os seus sentimentos. \u201cNa vis\u00e3o da psicologia, escutar, tentar entender e orientar para superar acontecimentos fazem parte do aprendizado emocional do indiv\u00edduo. Experi\u00eancias reais, muitas vezes, s\u00e3o importantes para o amadurecimento\u201d, responde a psic\u00f3loga Viviane.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>uem nunca ficou feliz por um casal ficar juntos depois de enfrentarem dificuldades que o impediam de viver um romance? Ou quem nunca ficou triste porque uma trag\u00e9dia os separou? Essas s\u00e3o algumas das rea\u00e7\u00f5es que uma hist\u00f3ria de amor causa no seu p\u00fablico consumidor. 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